A Ascensão dos Motéis Durante a Ditadura Militar no Brasil
É impressionante perceber como, em meio ao período mais opressivo da ditadura militar brasileira, surgiram os famosos motéis destinados ao sexo clandestino. Esses estabelecimentos, que se tornaram verdadeiros refúgios para encontros extraconjugais e também para o comércio sexual, proliferaram principalmente entre os governos de Costa e Silva e Médici. Localizados em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, os motéis contaram com o apoio de oficiais de alta patente, o que gerou um ambiente de corrupção e conivência.
Um episódio emblemático aconteceu em julho de 1973, quando o Motel Dunas, situado na Barra da Tijuca, foi inaugurado. A festa de abertura contou com a honrosa presença do general de brigada João Batista de Oliveira Figueiredo, que na época era chefe da Casa Militar de Médici e, posteriormente, se tornaria Presidente da República. Este evento é um exemplo claro de como esses locais estavam interligados a esferas de poder e influência que permeavam a sociedade brasileira daquela época.
A história dos motéis no Brasil, especialmente durante a ditadura, é repleta de contrastes. Enquanto a repressão e a censura predominavam, o desejo por liberdade e as relações clandestinas floresciam. Essa dualidade refletia não apenas a cultura da época, mas também as contradições de uma nação em busca de sua identidade. Os motéis, portanto, se tornaram símbolos dessa busca por escape em um contexto de repressão, criando um paradoxo que ecoa até os dias atuais.

