Estratégias de Marketing e Conflitos no Mundo da Música
A parceria entre Ludmilla e Felipe Amorim na música “Pecados como eu” foi marcada por um desdobramento inesperado. Ao tentar encontrar um tom leve e divertido para o single que fala sobre flerte, o forrozeiro acabou gerando um clima de animosidade ao afirmar que a funkeira foi a pior parceira profissional que já teve. A intenção inicial parecia ser uma brincadeira, mas a resposta negativa da artista e o uso do que hoje chamamos de “marketing de hate” levantaram questões sobre a eficácia e os limites desse tipo de estratégia.
Roberto Kanter, professor da FGV e especialista em marketing, explica que a curiosidade humana é mais aguçada em situações de conflito. “As pessoas naturalmente se atraem mais por separações, brigas e polêmicas do que pela harmonia. Isso acontece porque a atenção digital é alimentada pela influência, e o lado negativo tende a ser mais atraente”, comenta. Essa afirmação revela o desejo quase intrínseco do público de se envolver em dramas, mesmo que isso signifique ignorar a importância da obra a ser lançada.
Ludmilla, por sua vez, manifestou sua insatisfação publicamente, afirmando que a campanha de divulgação foi infeliz e não alinhada com suas expectativas. “O combinado foi outro. Eu não curti”, disse. Após a polêmica, Felipe Amorim apressou-se em pedir desculpas, reforçando que ambos já haviam se entendido e que a admiração entre eles continuava intacta. “O nosso foco agora é a parceria. Página virada”, declarou.
A cantora ainda expressou que esse tipo de estratégia a afeta profundamente, especialmente considerando os ataques que costuma receber nas redes sociais. “Essa abordagem é pesada demais para mim”, confessou, trazendo à tona a realidade de muitos artistas que enfrentam a pressão da exposição e do julgamento público nas plataformas digitais.
A Era da Fama Instantânea e os Algoritmos
O fenômeno da fama efêmera, como mencionado por Kanter, revela que estamos na era dos quinze segundos de notoriedade. As redes sociais, acompanhadas dos algoritmos que delimitam o que o usuário vê, acabam por amplificar polêmicas em detrimento de mensagens positivas. “O algoritmo tenta entender o seu ponto de vista e oferece conteúdos que geram interação, seja você a favor ou contra”, explica o especialista, destacando o lado perverso do sistema.
Felipe Amorim, que já soma três milhões de seguidores no Instagram, continuou promovendo a música com postagens de vídeos e fotos gravadas com Ludmilla. Já a cantora, que possui uma base de fãs de impressionantes 31 milhões na mesma plataforma, pareceu optar por um silêncio estratégico e não repostou o conteúdo.
Outros Casos de Marketing Polêmico na Música
O “marketing de hate” não é uma novidade no cenário musical brasileiro. Um exemplo notável é o de Anitta, que passou por diversas estratégias semelhantes em sua carreira. Antes de adotar uma postura mais serena, como na era “Equilibrium”, a artista esteve envolvida em conflitos públicos que geraram visibilidade. Em 2021, Anitta e MC Rebecca trocaram indiretas nas redes sociais, resultando em um distanciamento temporário, que culminou na divulgação da música “Tô preocupada (Calma, amiga)”.
Outra situação emblemática foi a rivalidade entre Anitta e Alok, onde ambos trocaram provocações a respeito de quem tinha mais ouvintes nas redes. No final, tudo não passava de uma estratégia de lançamento da faixa “Looking for Love”, que foi recebida com grande expectativa.
Melody também se destaca nesse contexto. Inspirada por Anitta, provocou a cantora em várias ocasiões, buscando chamar a atenção para suas produções. A cantora chegou a lançar uma versão de “Fake Amor”, mas que acabou sendo retirada das plataformas devido a questões de plágio. Mesmo assim, o barulho gerado facilitou que Anitta olhasse mais atentamente para o trabalho de Melody, que, posteriormente, lançou uma versão oficial em português de outro sucesso da Poderosa.
Até duplas sertanejas, como Simone e Simaria, já recorreram a esse tipo de estratégia, insinuando uma separação que, na verdade, visava promover o lançamento de uma nova música. A tática de gerar expectativa através de conflitos parece ser uma fórmula que continua a dar resultados.

