Mudança na Liderança da CVM
Com a conclusão do mandato de Otto Lobo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta-feira (31), o diretor João Accioly assumirá a presidência interina da autarquia a partir de 1º de janeiro. A decisão se deve à ausência de uma indicação formal do governo federal para o cargo, fazendo de Accioly o membro mais antigo do colegiado.
A saída de Lobo deixa a CVM com apenas dois dos cinco assentos disponíveis no colegiado, considerado a instância máxima de decisão da autarquia. Lobo ocupava a presidência provisória desde julho, quando João Pedro Nascimento renunciou ao cargo. Desde então, a diretoria, que já apresentava uma vaga desde janeiro, tornou-se ainda mais reduzida, contando apenas com Accioly e Marina Copola além de Lobo.
Accioly, conhecido por suas convicções liberais, ingressou na CVM em 2022, após ser indicado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), por intermédio do então ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele assumiu o lugar do ex-diretor Fernando Galdi, que esteve no cargo temporariamente após Gustavo Gonzalez ter se afastado.
Antes de sua atuação na CVM, em 2021, Accioly fez parte do Ministério da Economia, inicialmente como assessor e depois como secretário do Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Inovação. Ele também teve um papel significativo na elaboração de dispositivos da Lei de Liberdade Econômica.
Formado em Direito pela PUC-Rio e com mestrado em Economia pelo Ibmec-RJ, Accioly é um dos cofundadores do Instituto Millenium, uma organização dedicada ao liberalismo econômico. Além disso, ele possui quase 20 anos de experiência na advocacia privada antes de ingressar na CVM.
Como diretor da autarquia, Accioly é descrito por colegas e advogados como “genial” e “caótico”. Em suas atividades sancionadoras, ele é frequentemente reconhecido por sua inclinação a absolver os acusados e pela qualidade nas fundamentações de seus votos e manifestações.
Recentemente, Accioly tem enfrentado questões de saúde. Nas últimas sessões de julgamento da CVM em 2025, ele participou de forma remota, diretamente do hospital, conforme seus colegas relataram. Em contato com o Valor Econômico, Accioly não se manifestou.

