Integração entre Patrimônio e Inovação
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) estão em parceria para desenvolver o projeto intitulado “Entre Ruínas e Estrelas: Educação Patrimonial e Inovação em Alcântara”. O objetivo é unir a preservação cultural e arqueológica com o setor aeroespacial, estabelecendo um elo significativo entre passado e futuro. O projeto, que conta com um investimento de R$ 259.306,35 por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), foi assinado em março e visa atender às exigências legais do projeto Alcântara Cyclone Space.
Alcântara se destaca por sua singularidade, abrigando um Conjunto Arquitetônico e Urbanístico do século 17, tombado pelo Iphan em 1948, além do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), ligado à Agência Espacial Brasileira. A proposta é um passo importante para integrar ciência, tecnologia e patrimônio cultural, mostrando como o avanço tecnológico pode coexistir de maneira harmônica com a valorização da memória e identidade das comunidades locais.
Valorização dos Sítios Arqueológicos
O projeto não se limita a questões administrativas; ele abrange ações voltadas para a identificação, proteção e divulgação de dois importantes sítios arqueológicos da região: Pepital e Peru. Nesses locais, foram encontrados materiais que remontam a diferentes períodos históricos, incluindo vestígios pré-coloniais, como cerâmicas e ferramentas líticas, além de elementos que revelam a rica influência africana no Maranhão.
Entre as iniciativas já implementadas, destacam-se as visitas técnicas da equipe do Iphan ao Centro de Lançamento de Alcântara, a instalação de placas identificadoras nos sítios arqueológicos dentro da área do CLA e a realização de escutas participativas com as comunidades locais. Essas escutas têm como objetivo subsidiar a criação de um curso voltado para a formação de agentes multiplicadores do patrimônio cultural, promovendo o protagonismo da comunidade e incentivando o desenvolvimento sustentável.
Educação e Formação para o Futuro
Previstas para o primeiro semestre, duas oficinas sobre Preservação do Patrimônio Cultural serão realizadas em escolas do município, com o intuito de sensibilizar tanto estudantes quanto educadores. Já no segundo semestre, a programação incluirá o Curso de Formação de Multiplicadores em Preservação do Patrimônio Cultural de Alcântara, que será aberto à comunidade local, especialmente para aqueles que detêm saberes e práticas tradicionais.
A arqueóloga do Iphan no Maranhão e coordenadora do projeto, Mariana Zanchetta Otaviano, enfatizou a importância dessas colaborações, destacando que a união das duas pastas (MinC e MCTI) gera resultados concretos e positivos. Segundo ela, “Isso é importante, porque desperta em Alcântara o potencial para o turismo e para a valorização de produtos e saberes das comunidades. Patrimônio cultural não é sinônimo de atraso, mas pode ser um vetor de futuro”.
Desenvolvimento Sustentável e Diálogo com a Comunidade
O superintendente substituto do Iphan no Maranhão, Raphael Pestana, também reforçou a importância estratégica dessa iniciativa para o município. “Mais do que conservar o passado, estamos criando condições para que o patrimônio cultural seja também um vetor de desenvolvimento sustentável, gerando oportunidades através do turismo, educação e empreendedorismo, sempre em diálogo com a população e respeitando suas tradições”, destacou.
Assim, a parceria entre Iphan e MCTI não apenas preserva a história de Alcântara, mas também abre portas para um futuro onde cultura e inovação caminham juntas, promovendo um desenvolvimento que respeita e valoriza as raízes locais.

