Desempenho do Setor em Queda
A indústria da construção começou o ano de 2026 enfrentando desafios significativos. De acordo com a Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta quinta-feira (26) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o índice que mede a atividade do setor alcançou apenas 43,1 pontos em janeiro. Este é o pior resultado registrado para o mês desde 2017.
A pesquisa ouviu 312 empresas, divididas entre 122 pequenas, 125 médias e 65 grandes, no período de 2 a 12 de fevereiro. Os dados refletem uma realidade preocupante para o setor, que já vinha mostrando sinais de desaceleração.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destaca que a elevação das taxas de juros tem elevado o custo do crédito, dificultando o acesso das empresas e, consequentemente, limitando os investimentos no setor. Este cenário também impacta a demanda, refletindo diretamente no desempenho da construção civil.
Indicadores em Declínio
O contexto desafiador não se resume apenas ao índice de atividade. Outros indicadores também demonstram uma perda de ritmo. O índice que avalia a evolução do número de empregados no setor, por exemplo, caiu de 45,7 pontos em dezembro de 2025 para 45,3 pontos em janeiro de 2026, marcando a terceira queda consecutiva. Além disso, a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) registou uma queda de 3 pontos percentuais, reduzindo-se de 67% para 64%, um dos níveis mais baixos dos últimos cinco anos.
A situação se agrava ainda mais quando analisamos o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da construção, que se manteve em 48,6 pontos em fevereiro. Este indicador tem permanecido abaixo da linha dos 50 pontos por 14 meses, refletindo a percepção negativa dos industriais em relação às condições atuais do setor e da economia em geral.
Expectativas e Intenção de Investimentos
A pesquisa também revelou que, apesar de alguns indicadores de expectativas terem se mostrado positivos anteriormente, todos eles apresentaram queda em fevereiro. A compra de insumos e matérias-primas caiu 2 pontos, atingindo 50,5 pontos; novos empreendimentos e serviços recuaram 1,7 ponto, para 51,2 pontos; o número de empregados diminuiu 1 ponto, chegando a 51,8 pontos; e o nível de atividade registrou uma queda de 0,7 ponto, totalizando 52,1 pontos.
Embora os resultados de fevereiro sejam negativos, os indicadores ainda permanecem acima da linha de 50 pontos, sugerindo uma perspectiva otimista entre os empresários do setor. No entanto, o índice que mede a intenção de investimentos na construção civil caiu 1,7 ponto, de 44,6 para 42,9 pontos, encerrando um ciclo de quatro altas consecutivas. Mesmo assim, o índice supera os 42 pontos verificados no mesmo mês do ano anterior.
Diante desse cenário, é evidente que a indústria da construção terá que se adaptar rapidamente às novas condições econômicas e buscar alternativas para contornar os desafios impostos pela alta dos juros e pela demanda em retração. O caminho à frente requer inovação e estratégias que ajudem a revitalizar o setor.

