Os Desafios e Conquistas de Lewandowski à Frente do Ministério da Justiça
Desde sua nomeação em 22 de janeiro de 2024 e posse em 1º de fevereiro do mesmo ano, o ministro do Justiça, Ricardo Lewandowski, enfrentou uma série de desafios significativos. Entre eles, destaca-se a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, ambos atualmente em tramitação no Congresso. Essas iniciativas visam aumentar a atuação da União na segurança pública e estabelecer um marco legal mais rigoroso contra o crime organizado.
A primeira grande crise da gestão ocorreu com a fuga de dois detentos da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, um episódio sem precedentes em presídios de segurança máxima. A fuga, registrada em 2024, levou a uma série de mudanças na estrutura física e nos protocolos de segurança dos cinco presídios federais.
A gestão de Lewandowski também se destacou pela implementação de um novo decreto que revisou a fiscalização de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), transferindo essa responsabilidade do Exército para a Polícia Federal. Essa mudança foi considerada necessária por especialistas, já que o acesso restrito a informações das polícias civis e da Justiça facilitou a concessão de licenças a indivíduos com histórico criminal, como evidenciado por um relatório do Tribunal de Contas da União.
Outro marco importante foi a atuação da Polícia Federal no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Em 2024, as autoridades detiveram os supostos mandantes dos crimes, incluindo o deputado Chiquinho Brazão e o conselheiro do TCE-RJ, Domingos Brazão. A prisão desses indivíduos foi um passo importante para a busca de justiça em um dos casos mais emblemáticos da política brasileira recente.
Apesar dessas conquistas, Lewandowski enfrentou momentos de tensão interna. Com o anúncio do presidente Lula sobre a criação de um novo Ministério da Segurança Pública, houve um certo desconforto entre os membros da equipe do ministério, levando Lewandowski a refletir sobre sua permanência na pasta. Em sua carta de demissão, o ministro expressou que atuou com “zelo e dignidade”, destacando seu comprometimento com o desempenho do cargo, apesar das limitações políticas e orçamentárias.
Ao longo de sua gestão, Lewandowski teve que lidar com temas polêmicos e complexos que envolvem a segurança pública no Brasil. Sua trajetória é uma lembrança das dificuldades enfrentadas por quem ocupa cargos de alta relevância em um cenário político desafiador e dinâmico. As mudanças propostas e as crises enfrentadas revelam muito sobre a direção que o Ministério da Justiça busca trilhar, refletindo o compromisso com a segurança e a justiça social no país.

