Investigações de Irregularidades em Contratos de Saúde
A prefeita de Guapimirim, junto a mais quatro pessoas, foram formalmente acusados por suspeitas de fraudes em contratos de saúde. A ação foi movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que investiga possíveis irregularidades nos acordos entre a administração municipal e a empresa Speed Meg. Segundo informações do órgão, existem indícios de um esquema planejado para manipular licitações, o que levanta sérias preocupações sobre a transparência nos processos administrativos.
Conforme a denúncia, a Speed Meg se estabeleceu como a principal, e praticamente única, prestadora de serviços para exames de média e alta complexidade no município ao longo dos últimos dez anos. O documento que embasa a denúncia sugere a ocorrência de sobrepreços nos serviços prestados, apontando para um prejuízo significativo aos cofres públicos.
Envolvimento de Responsáveis e Estruturas Irregulares
A investigação do MPRJ revela que a Speed Meg não possui uma estrutura própria para a prestação dos serviços, dependente de duas empresas terceirizadas que atuam como intermediárias, simulando o cumprimento das exigências legais estabelecidas. Além disso, pai e filha, identificados como Iram Moreno de Oliveira e Mêllanie da Costa Oliveira, estão entre os réus. Iram, ex-vereador e presidente da Câmara Municipal, foi preso em 2013 sob a acusação de pertencer a uma quadrilha armada que extorquia recursos da prefeitura, embora tenha sido absolvido na esfera criminal por falta de provas.
Mesmo assim, sua carreira política sofreu um golpe, com a cassação de seu mandato pela Justiça Eleitoral. A filha dele, Mêllanie, também enfrenta acusações de improbidade administrativa, somando-se a outros réus na ação.
Além de Iram e Mêllanie, a lista de réus inclui Neiva Maurício da Silva Bonfante, ex-membro da Comissão de Licitação da prefeitura, e Philipe Gomes Pereira, servidor público encarregado de conduzir as licitações da Speed Meg. De acordo com a denúncia, Philipe teria falhado em cumprir suas obrigações de fiscalização e recebeu depósitos da empresa em sua conta pessoal, levando à sua suspensão do cargo por determinação judicial.
Ação da Justiça e Implicações para a Saúde Pública
O MPRJ também destacou que a prefeita, mesmo ciente das irregularidades, não tomou as devidas providências para suspender as licitações com a Speed Meg, que foi contratada de maneira reiterada. As investigações apontam que um dos últimos editais de licitação não teve a ampla publicidade exigida pela legislação, resultando em uma competição enviesada, onde apenas a Speed Meg manifestou interesse.
Como resultado das investigações, a Justiça determinou a suspensão das atividades da Speed Meg e estipulou um prazo de três meses para que a prefeitura realize uma nova contratação para os serviços de saúde. Além disso, foi ordenado o bloqueio de R$ 8,6 milhões dos cinco réus envolvidos no esquema.
Defesa da Empresa Speed Meg
A clínica Speed Meg, por sua vez, declarou estar à disposição das autoridades judiciais e refutou as alegações de superfaturamento em seus contratos com entidades públicas. A empresa argumentou que, até o presente momento, não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre as acusações, e assegurou que apresentará sua defesa de forma adequada no âmbito judicial.

