Uma Celebração ao Gênero Carioca
Em homenagem ao aniversário de Tom Jobim, celebrado em 25 de janeiro, o festival Rio Bossa Nossa será um marco na celebração da bossa nova, um dos gêneros mais icônicos da música brasileira. Neste domingo, o renomado colunista Nelson Motta, junto de Helô Pinheiro e Roberto Menescal, receberá um diploma simbólico do evento, que foi oficialmente inserido no calendário carioca. Helô, a eterna garota de Ipanema e musa dos compositores Tom Jobim e Vinicius de Moraes, assume mais uma vez o papel de apresentadora do festival, recebendo no palco os artistas que farão parte da programação. Aos 82 anos, Helô sempre expressa sua saudade e orgulho por ter vivido a efervescência da bossa nova.
“Sinto muito orgulho de ter feito parte dessa época tão maravilhosa. Tudo era mais cheio de graça e também lindo por causa do amor. Era o que a gente sentia na época, uma época que valeu muito na música brasileira”, compartilha Pinheiro, relembrando os momentos mágicos que marcaram sua trajetória.
Os Pioneiros da Bossa Nova
Roberto Menescal, um dos últimos remanescentes da primeira geração de músicos do movimento, também se apresentará no domingo. Com 88 anos e um currículo recheado de colaborações, Menescal subirá ao palco ao lado de Theo Bial e Cris Delanno. Recentemente, ele lançou o álbum “Bossa Sempre Nova” em parceria com Luísa Sonza, destacando o crescente interesse das novas gerações pelo gênero. “Hoje toca mais bossa nova no Japão do que no Brasil. Parece que as novas gerações estão se informando sobre isso, e a bossa nova foi um movimento que mudou muita coisa nos anos 50 e 60. Continua mudando”, observa o cantor e compositor.
Cris Delanno, que faz parte da terceira geração de intérpretes da bossa nova, destaca como a estética do gênero permanece atemporal. “Pode até estar mais em alta ou em baixa, mas a bossa sempre retorna. Harmonia, melodia e levada são elementos que contribuem para o seu sucesso”, afirma. Ela ressalta a importância de artistas internacionais, como Billie Eilish, que presta homenagem ao estilo com sua canção “Billie Bossa Nova”, e a adesão de artistas brasileiros como Anitta e Luísa Sonza, que reinterpretam clássicos da bossa nova.
Uma Nova Geração de Talentos
No festival, Theo Bial, a nova promessa com apenas 28 anos, expressa seu amor pela bossa. “A parceria com Menescal foi um sonho realizado. Me identifico com as músicas, sou do Rio de Janeiro, e acredito que música boa é eterna”, destaca o jovem artista. Essa conexão com a música bossa nova ilustra a contínua relevância do gênero, que permanece no coração de muitos.
O Rio Bossa Nossa surge em um contexto de homenagens que se concretizarão em 2028, quando se celebrarão os 70 anos das gravações de “Chega de Saudade”, marco inicial do movimento, feitas por Elizeth Cardoso e João Gilberto. Como anunciado por Lauro Jardim, dois projetos significativos estão programados para este ano: uma exposição imersiva, com curadoria de Nelson Motta, que passará pelo Rio e São Paulo, e uma plataforma online dedicada à bossa nova. A mostra “Bossa Nova Chega de Saudade” será inaugurada no segundo semestre, ocupando 2.100 m² com instalações interativas. Além disso, uma fita com gravações inéditas de Nara Leão será lançada como o álbum “A Bossa Rara de Nara”, disponível neste domingo.
A História de um Legado
O festival foi idealizado por Emerson Martins, um empresário com uma rica história de conexão com a boemia carioca, tendo vivido a efervescência da churrascaria Plataforma 1, onde Tom Jobim costumava se reunir com diversos artistas e intelectuais. “Cresci nesse meio, vendo Tom na mesa com meu pai. A bossa nova é suave, traz amor, paz e tranquilidade. É fácil se apaixonar por ela”, reflete Emerson, que divide a curadoria do festival com o amigo Pretinho da Serrinha. Para ele, a bossa nova merece um evento grandioso que a coloque em destaque. “O festival é democrático e atrai um público jovem, essencial para a renovação do gênero”, enfatiza.
Emerson também observa o impacto contínuo da bossa nova no cenário musical, citando a recente visita de celebridades como o príncipe William e a apresentação de Coldplay cantando “Garota de Ipanema”. “É claro que manter o gênero no topo é um caminho natural. Espero que os produtores continuem investindo na bossa nova”, conclui.
Programação do Rio Bossa Nossa
23/1
Bossacucanova
Leo Jaime e Ricardo Leão (voz e piano)
Maria Gadú, Mônica Salmaso e Joyce
24/1
Leila Pinheiro
Marcos Valle
Orquestra Prio
25/1
Em Tom Maior
Roberto Menescal, Theo Bial e Cris Delanno
Seu Jorge e Daniel Jobim interpretam Tom Jobim

