Encontro com Daniel Vorcaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma revelação intrigante sobre sua reunião com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que ocorre em meio a uma investigação por fraudes bilionárias. Durante esse encontro, realizado no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, Vorcaro expressou a Lula a sensação de estar sendo alvo de uma ‘perseguição’ e mencionou que havia forças tentando ‘derrubá-lo’. Em uma entrevista ao Uol nesta quinta-feira (5), Lula compartilhou alguns detalhes desse diálogo, ressaltando que a reunião não foi algo extraordinário, já que ele frequentemente se encontra com executivos de diversos setores.
— Para começar, já tive conversas com representantes de bancos como Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual, e essas reuniões não contavam com uma agenda específica — explicou Lula, buscando desmistificar o encontro com Vorcaro.
Apresentação e Contexto
Lula também destacou que foi Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda e consultor do Banco Master, quem trouxe Vorcaro até ele. O presidente relatou que, ao receber Mantega e Vorcaro, convocou figuras-chave como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Rui Costa, ministro da Casa Civil, que conhecia o empresário.
— Vorcaro me contou sobre a perseguição que estava enfrentando e mencionou pessoas interessadas em sua queda, mas não entrei no mérito dos detalhes — afirmou Lula, enfatizando a importância de uma abordagem técnica para a situação do Banco Master.
Investigação Técnica
O presidente assegurou a Vorcaro que seria realizada uma investigação técnica sobre a instituição. Naquele momento, o Banco Central estava conduzindo análises detalhadas.
— Deixei claro que não haverá apoio político a favor ou contra o Banco Master. O que contamos é com a competência técnica do Banco Central para determinar se há irregularidades — frisou Lula. Ele completou, afirmando que a investigação deve esclarecer se houve práticas ilícitas ou se o banco está em conformidade.
Reunião Com Ministros
Após o encontro com Vorcaro, Lula se reuniu com Fernando Haddad, ministro da Fazenda, Galípolo e Paulo Gonet, procurador-geral da República. Na ocasião, ele compartilhou suas expectativas sobre a possibilidade de enfrentar a corrupção e a lavagem de dinheiro no país.
— Enxergo essa como uma oportunidade única de responsabilizar os grandes nomes envolvidos em esquemas de corrupção. Não me importo se isso envolve política ou instituições bancárias. Quem estiver implicado terá que arcar com as consequências de suas ações — afirmou Lula, reforçando a necessidade de um posicionamento firme contra a corrupção.
Relação de Lewandowski com o Banco Master
Durante a entrevista, Lula também abordou a relação de Ricardo Lewandowski com o Banco Master. O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública atuou como conselheiro consultivo da instituição em 2023.
— Lewandowski é um dos mais respeitados juristas do Brasil. É comum que advogados renomados trabalhem para empresas em dificuldades. Quando o convidei para ser ministro, ele já havia deixado suas funções no banco — defendeu Lula, afirmando que não vê problema na relação profissional anterior de Lewandowski com a instituição.
Investigação do Rioprevidência
Outro ponto levantado por Lula foi a investigação sobre os investimentos realizados pelo Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, e o fundo de pensão do Amapá no Banco Master. Ele pediu um aprofundamento na apuração desses recursos.
— Queremos entender por que tanto o governo do Rio quanto o de Amapá decidiram alocar dinheiro do fundo dos trabalhadores neste banco. É essencial esclarecer que tipo de acordo ocorreu entre o Banco Master e o Banco de Brasília — afirmou o presidente.
Além disso, Lula reiterou que as investigações sobre o Banco Master devem seguir até suas conclusões, visando prevenir casos semelhantes no futuro. Contudo, ele fez questão de ressaltar que a responsabilidade por convocar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) não deve recair sobre o governo.

