Aumento Significativo dos Empréstimos do Tesouro
Os empréstimos realizados pelo Tesouro Nacional a instituições financeiras e bancos públicos para sustentar políticas do governo tiveram uma elevação de 34,5% em um ano, totalizando R$ 307,2 bilhões em 2025, conforme revela o Balanço Geral da União. Esse crescimento representa um acréscimo de R$ 78,7 bilhões no período, sem levar em conta a inflação.
Esses recursos são originados de emissões de títulos da dívida pública, frequentemente repassados com taxas de juros reduzidas. Essa prática gera um custo conhecido como subsídio implícito, já que não é explicitamente registrado no Orçamento Federal.
Nos primeiros três anos da administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a expansão desses empréstimos alcançou impressionantes 55,5%, o que equivale a R$ 109,7 bilhões em termos nominais.
Contudo, esse crescimento tem gerado críticas entre especialistas que apontam para o uso dessa estratégia como uma maneira de contornar limites fiscais. A maioria das operações e os respectivos custos não são contabilizados nos limites de despesas estabelecidos pelo arcabouço fiscal, nem aparecem no resultado primário — que mede a diferença entre receitas e despesas, excluindo o serviço da dívida pública. Essas são as regras em vigor para a contenção dos gastos públicos.
Reações e Consequências Econômicas
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De acordo com integrantes da equipe econômica, a ampliação dos empréstimos é defendida com o argumento de que as políticas públicas que recebem esses fundos são essenciais para sustentar setores da economia, trazendo retornos positivos para o país.
O montante total de R$ 307,2 bilhões inclui duas categorias de créditos a receber pela União: os haveres financeiros relacionados a operações fiscais e outros empréstimos e financiamentos. Essas duas modalidades foram as que mais cresceram ao longo do último ano e são esperadas para continuar em expansão em 2026.
No presente ano, o governo federal já anunciou um total de pelo menos R$ 35 bilhões em novas operações. Desses, R$ 20 bilhões estão destinados a financiar ações de habitação através do programa Minha Casa, Minha Vida, enquanto os restantes R$ 15 bilhões serão alocados ao Plano Brasil Soberano. Este plano tem como objetivo mitigar os impactos econômicos provocados pelo aumento de custos nos Estados Unidos sobre as empresas brasileiras, além de atender às necessidades decorrentes do conflito no Irã.
Composição dos Haveres e Aumento de Empréstimos
A conta de haveres financeiros relacionada às operações fiscais inclui empréstimos a instituições como o BNDES e a Caixa Econômica Federal, além de recursos do Fundo de Garantia à Exportação direcionados ao Plano Brasil Soberano e operações de crédito rural.
Essa conta também abrange programas como o Renova Frota, que financia a aquisição de caminhões, e o uso do Fundo Social do pré-sal para apoiar ações de combate a desastres naturais, como as enchentes no Rio Grande do Sul.
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Antes da atual gestão, o estoque dessa conta vinha apresentando queda, mas a tendência mudou em 2024, com um aumento de R$ 95,1 bilhões para R$ 114,75 bilhões. Em 2025, os haveres financeiros relacionados a operações fiscais alcançaram R$ 143,15 bilhões, resultando em uma variação de 24,75% em comparação ao ano anterior.
O crescimento foi impulsionado por um repasse de R$ 22,2 bilhões para os empréstimos do Plano Brasil Soberano. Adicionalmente, o governo liberou R$ 12 bilhões para que produtores rurais possam renegociar dívidas com instituições financeiras. Essa medida foi implementada para aliviar a pressão sobre os agricultores e o Banco do Brasil, que desempenha um papel crucial no financiamento do setor. A inadimplência crescente dessas operações teve um impacto significativo nos resultados financeiros da instituição em 2025.
Além disso, foram alocados R$ 6 bilhões para facilitar a aquisição de caminhões novos ou seminovos por meio do programa Renova Frota, já transferidos ao agente financeiro, que é o BNDES.
Apesar desse crescimento, os empréstimos a instituições financeiras apresentaram uma queda de R$ 80,6 bilhões para R$ 75,6 bilhões, o que equivale a uma redução de 6,2% entre 2024 e 2025.
Operações com Fundos e Suporte à Sustentabilidade
A segunda conta, que abrange outros empréstimos e financiamentos, inclui especialmente operações com fundos. Neste contexto, destacam-se políticas como o Fundo Clima, repasses do Fundo Social do pré-sal para o Minha Casa, Minha Vida e os fundos de desenvolvimento regional.
No ano de 2025, esse segmento de outros empréstimos atingiu R$ 164,1 bilhões, uma impressionante expansão de 44,3% em relação aos R$ 113,8 bilhões registrados no ano anterior, segundo informações do Tesouro.
Esse crescimento substancial foi impulsionado principalmente pelo Fundo Clima, que recebeu um incremento de R$ 20 bilhões em apenas um ano, refletindo uma alta nominal de 142,2% em comparação a 2024. Este fundo foi criado com o propósito de financiar projetos voltados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas, especialmente aqueles relacionados à transição energética, e muitos desses projetos contam com taxas de juros subsidiadas pelo governo.
Outros fundos e políticas também se beneficiaram de um aumento nos recursos, como o FNDCT, que é voltado para ciência e tecnologia, e o programa Minha Casa, Minha Vida, que passou a ter acesso a fundos do Fundo Social para financiar a aquisição da casa própria, após uma alteração legal que permitiu essa destinação.
A União ainda possui outros créditos a receber, como empréstimos destinados a estados e municípios, o FAT e o Fies. Contudo, esses não foram considerados na comparação devido a seguirem regras próprias, e sua expansão foi bem mais modesta, variando entre 3,1% e 9,6% em um ano, sem descontar os efeitos da inflação.

