Empreendedorismo na periferia: resistência e inovação
O empreendedorismo em áreas periféricas do Rio Grande do Sul tem uma característica muito própria: a necessidade constante de se adaptar e superar desafios com poucos recursos. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae RS, em 19 cidades do estado, os empreendedores dessas regiões dependem fortemente da “sevirologia” — uma ética de improvisação e planejamento intuitivo que nasce da urgência de gerar renda. O aprendizado acontece na prática, por meio da experiência diária e do método de tentativa e erro.
Esses empreendedores frequentemente agem sozinhos, enfrentando sobrecarga, especialmente as mulheres, que acumulam trabalho doméstico e cuidado dos filhos além da gestão do negócio. O empreendedorismo é, para eles, uma expressão de identidade coletiva e territorialidade, funcionando como um instrumento de emancipação política, social e valorização cultural local.
As redes de apoio são construídas com base na reciprocidade e no auxílio mútuo, formando uma espécie de “hackeamento” do sistema tradicional. As instituições que atuam nesses territórios funcionam como ecossistemas adaptados à realidade local. Esse cenário impulsiona processos de inovação social e uma resiliência comunitária notável, transformando a escassez em oportunidade e permitindo que o negócio seja um meio para o indivíduo assumir controle sobre sua trajetória.
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Fonte: cidaderecife.com.br
Regiões centrais: planejamento e busca por qualidade de vida
Nos territórios centrais, o perfil dos empreendedores é marcado por um planejamento mais estruturado e qualificação prévia. O negócio é visto como um novo ciclo de vida, uma forma de manter-se ativo e preservar vínculos afetivos e experiências familiares. O acesso a recursos financeiros, redes de apoio consolidadas e conhecimento estruturado é significativamente maior, fortalecendo a base para o desenvolvimento dos negócios.
O uso estratégico da tecnologia se destaca, especialmente entre os Millennials e a Geração Z. O desafio está em equilibrar a digitalização com o atendimento humano, elemento valorizado por clientes mais tradicionais. O sucesso, para esses empreendedores, vai além do retorno financeiro e envolve tempo para a família e cuidado com a saúde mental. Para os mais jovens, inclui também a liberdade geográfica e a rejeição a modelos de trabalho considerados “escravizantes”.
Entretanto, a gestão de pessoas, a alta concorrência e a necessidade constante de profissionalização são desafios que exigem atenção para manter a competitividade. Nessas regiões, o negócio é um projeto de vida que busca otimizar oportunidades e garantir bem-estar, apoiado por uma infraestrutura de recursos e redes mais robusta.
Impactos e perspectivas
O estudo do Sebrae RS evidencia o contraste entre os perfis empreendedores nas periferias e regiões centrais do Rio Grande do Sul, destacando a resiliência e criatividade dos primeiros e o planejamento e acesso estruturado dos segundos. Essa diferenciação aponta caminhos para políticas públicas e ações que fortaleçam o empreendedorismo em sua diversidade, potencializando o desenvolvimento econômico regional e a geração de emprego e renda.
Ouça o podcast Nossa Economia, de GZH, com André Campos e Andreia Nascimento, para entender os detalhes dessa pesquisa e seus impactos práticos.

