Um Cenário de Incertezas
RIO DE JANEIRO, RJ – Os planos do governador Cláudio Castro (PL) para a candidatura ao Senado, somados ao afastamento do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), criaram um ambiente propício para uma inédita e imprevisível eleição indireta para o comando do Palácio Guanabara, programada para o primeiro semestre de 2026. O cenário atual polariza os interesses de Castro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também se posiciona como pré-candidato à presidência da República. A definição de uma nova estratégia será discutida até fevereiro, em conjunto com o deputado Altineu Côrtes, presidente do PL-RJ.
A atual indefinição decorre de uma estratégia política delineada por Castro no primeiro semestre do ano passado, que visava promover Bacellar como seu preferido para a sucessão. A linha sucessória começou a se desintegrar em maio, quando Castro convenceu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a renunciar para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado, permitindo a ascensão de Bacellar à presidência da Alerj.
Um Desfecho Polêmico
A estratégia original previa que, após sua renúncia para concorrer ao Senado, Bacellar seria escolhido pela Alerj, onde contava com amplo apoio, em uma eleição indireta como novo governador, com o intuito de concorrer à reeleição em outubro. Entretanto, a suspensão de Bacellar do cargo, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), transformou a escolha do “governador-tampão” em um debate acalorado dentro do PL, que detém a maioria na Alerj. O afastamento de Bacellar ocorreu sob suspeitas de vazamento de informações relacionadas à operação que resultou na prisão do ex-deputado TH Joias, vinculado ao Comando Vermelho. Ele nega as acusações.
A situação se complicou ainda mais com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Uma das duas vagas na chapa eleitoral estava destinada ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro para garantir sua reeleição. A outra vaga passou a ser disputada por diversos nomes, incluindo o próprio governador. Se Flávio se retirar da disputa, a candidatura de Castro pode ganhar força.
Novas Opções e Desafios
O PL iniciou pesquisas para identificar nomes potencialmente viáveis para a eleição ao governo estadual, entre eles o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), filho do prefeito de São Gonçalo, que é o terceiro maior colégio eleitoral do estado. Outra possibilidade é o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, que ganhou notoriedade após uma operação na zona norte do Rio, resultando na morte de 122 pessoas, incluindo cinco policiais. O nome do prefeito de Itaboraí, Marcelo Dellaroli (PL), reeleito com 93,79% dos votos válidos, também está sendo considerado.
Além disso, Rodolfo Landim, ex-presidente do Flamengo, é outro nome que está sendo analisado. Por outro lado, o União Brasil busca avaliar a candidatura do prefeito de Belford Roxo, Marcelo Canella, embora sua nomeação anterior de secretários com acusações de envolvimento com a milícia seja vista com desconfiança por membros do PL.
Incertezas Jurídicas e Políticas
A situação se torna ainda mais complexa em meio à incerteza jurídica que permeia a política fluminense. Os aliados de Bacellar estão preocupados com os desdobramentos que podem surgir a partir das investigações relacionadas ao celular do presidente da Alerj. A posição de Castro também é instável, especialmente devido a um processo em que o Ministério Público Eleitoral solicita sua cassação e inelegibilidade, em função do caso das “folhas secretas” de pagamentos de fundações do estado. Este assunto está atualmente sob análise do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde já houve um voto pela condenação do governador, proferido pela ministra Isabel Gallotti.
O julgamento dessa questão foi suspenso após um pedido de vista do ministro Antônio Carlos, que solicitou mais tempo para análise. Nos bastidores, há a expectativa de que ele libere o processo em fevereiro. Contudo, há receios no Palácio Guanabara de que outros ministros solicitem vista, atrasando ainda mais a condução da “sucessão-tampão” proposta por Castro. Caso o governador seja cassado, a Constituição estadual prevê a realização de uma eleição direta, o que torna a possibilidade de uma renúncia antes do julgamento uma alternativa viável caso não haja garantias de adiamento da análise.
Em paralelo, a Alerj terá que definir as regras para a nova eleição, visto que a substituição do governo em caso de vacância dos cargos ainda carece de regulamentação.

