Cenário Político no Rio de Janeiro se Complica
Após a posse, Douglas Ruas manifestou a intenção de dialogar com o governador interino e buscar a orientação do Supremo Tribunal Federal (STF) antes de tomar decisões sobre a linha sucessória do governo fluminense. Em declarações a jornalistas, Ruas enfatizou a importância de estabelecer um diálogo com as demais instituições. “Queremos conversar de forma institucional. Pretendo procurar o governador interino e, depois desse diálogo, tomaremos as decisões mais adequadas”, afirmou.
O novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ressaltou que sua atuação não será feita sem conversas com outras entidades. “Essa casa não dará nenhum passo se não for em diálogo com outras instituições. Temos que agir com calma e serenidade. É um cenário de extrema excepcionalidade”, completou.
Com a saída do ex-governador Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo um dia antes de ser condenado por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022, o Palácio Guanabara enfrenta um vácuo de liderança. A renúncia de Castro foi interpretada como uma manobra para evitar a cassação de seu mandato. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assumiu a governança de forma interina, pois a presidência da Alerj também estava vaga no momento da saída de Castro.
Ações no STF em Debate
Atualmente, há duas ações pendentes no STF que buscam definir o método de escolha do sucessor de Castro para completar o mandato — se por votação direta ou indireta na Alerj. O julgamento deste tema está paralisado em decorrência de um pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino, que defende a eleição direta.
Enquanto a Corte não chegar a uma resolução, a decisão anterior estipula que Couto continue interinamente no cargo. Recentemente, essa mesma orientação foi ratificada pelo Tribunal de Justiça do Rio.
Em meio a essa discussão, integrantes do PL estão avaliando as melhores estratégias para reivindicar a continuidade da linha sucessória. Não muito tempo atrás, o partido já havia protocolado um pedido no STF, visando garantir que o novo presidente da Alerj assumisse o governo interinamente. Essa proposta foi feita na forma de um ‘amicus curiae’ na ação em trâmite no Supremo, mas o relator, ministro Luiz Fux, ainda não se manifestou.
Perspectivas para o Futuro Político de Ruas
A motivação de Ruas para assumir o governo interinamente é aumentar sua visibilidade no estado, o que pode fortalecer sua candidatura nas eleições ordinárias marcadas para outubro. Embora tenha apenas um mandato como deputado estadual, Ruas possui experiência como secretário de Cidades no governo Castro, função que lhe permitiu percorrer diversas regiões do estado, embora isso não tenha garantido a notoriedade necessária entre os eleitores, conforme indicam pesquisas internas do PL.
Em conversa com a imprensa, Ruas reiterou que é a favor da realização de eleições diretas para que um novo governador possa ser escolhido até o final de 2026. “Sempre defendi as eleições diretas. Temos o grande desafio de nos tornarmos mais conhecidos pelo Estado do Rio, e esta seria uma ótima oportunidade”, declarou.
Apesar do forte interesse do PL e de Ruas, interlocutores do Legislativo fluminense, do governo interino e do próprio STF acreditam que o cenário mais provável é que Couto permaneça no cargo até que o Supremo decida sobre a possibilidade de uma eleição suplementar. Existe, ainda, a possibilidade de que Couto permaneça interinamente até outubro, caso a Corte opte por não realizar a eleição suplementar, levando em consideração a proximidade do pleito ordinário.
Desafios Eleitorais para Ruas
Douglas Ruas está preparado para enfrentar o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) nas eleições de outubro, que almeja retornar ao Palácio Guanabara pela terceira vez. Paes tentou articular durante a eleição da presidência da Alerj, buscando evitar que Ruas pudesse assumir interinamente o governo antes do período eleitoral, o que lhe garantiria visibilidade e o suporte da máquina pública.
Na coletiva de imprensa após sua posse, Ruas não hesitou em criticar os aliados de Paes, que tentaram barrar a escolha na Alerj. “É uma incoerência total. Nos últimos 20 dias, o grupo de Eduardo Paes chegou a um consenso sobre o candidato deles na Alerj, mas depois mudou e abordou vários parlamentares aqui e não conseguiu judicializar a questão”, destacou Ruas.

