Bastidores do Carnaval: A repercussão da demissão e as ações judiciais em torno da homenagem a Lula na Sapucaí
Recentemente, o presidente da escola de samba que prestará uma homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Sapucaí foi demitido de seu cargo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A situação gerou uma série de reações, especialmente em um clima político acirrado. A homenagem a Lula, que será refletida no desfile, traçará sua trajetória desde a infância em Garanhuns, Pernambuco, até sua ascensão como líder sindical e presidente da República.
A demissão ocorreu em um momento em que a política e o carnaval se entrelaçam de maneira intensa. O presidente da escola, que foi nomeado para a Alerj no último ano, atuava na Comissão de Transportes, vinculada ao gabinete do deputado Dionísio Lins (PP), que também é vice-líder do governo de Cláudio Castro na Casa Legislativa. Segundo informações obtidas pelo Poder360, Palhares, o demitido, recebeu cerca de R$ 7.961,34 em janeiro, quantia que combina rendimento líquido e benefícios, sendo quase três vezes superior ao que recebeu em abril de 2025.
Dionísio Lins é um parlamentar com histórico de envolvimento no cenário do carnaval. No ano passado, ele teve atritos com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) ao sugerir um aumento no número de escolas que desfilam pelo Grupo Especial, passando de 12 para 15, o que gerou polêmica entre os aficionados pelo evento.
No próximo domingo de carnaval, a abertura do desfile será feita pela Acadêmicos de Niterói, seguida por outras escolas tradicionais como Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Entre as personalidades confirmadas no evento, destaca-se Juliana Baroni, que representará Marisa Letícia, e a atual primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja. Embora a expectativa seja alta, ainda não está claro se Lula participará do desfile.
Até o momento, a escola de samba não se manifestou publicamente sobre a demissão de seu presidente, situação que agrava a tensão de um cenário já complexo.
Ações Judiciais e Controvérsias Eleitorais
Outro desdobramento relevante nessa história é a denúncia protocolada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE). No documento, ela critica a utilização de verbas públicas para a escola de samba, insinuando que isso configura uma forma de propaganda eleitoral antecipada. O valor em questão, de R$ 12 milhões, refere-se a um termo de cooperação técnica entre a Embratur e a Liesa, que destina recursos às doze agremiações do Carnaval fluminense.
Em resposta, a Liesa afirmou que a distribuição dos recursos foi feita de forma equitativa, com R$ 1 milhão destinado a cada uma das doze escolas do Grupo Especial. Em 2025, a continuidade do apoio financeiro pelo governo federal foi novamente estabelecida, mantendo o mesmo valor e a mesma divisão entre as escolas.
Esta situação não é nova. O deputado federal Kim Kataguiri (MBL-SP) já havia questionado o repasse de recursos à escola niteroiense, alegando que essa verba poderia ser usada para promover uma imagem positiva de Lula, que possui planos de reeleição. Kataguiri entrou com uma ação popular para suspender o termo de cooperação e bloquear novos repasses, pedindo a devolução das quantias já transferidas.
Reações de Parlamentares e Críticas à Escola de Samba
A crítica à escola de samba ganhou força após um ensaio técnico realizado recentemente, onde foram exibidas imagens com referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro em um tom irônico. Essas imagens causaram indignação entre alguns setores políticos, levando a reações imediatas. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) contrabalançou as críticas, defendendo seu pai, enquanto o deputado estadual Gil Diniz (PL) protocolou uma denúncia no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) em relação à agremiação, intensificando assim o embate entre opositores.
Essa controvérsia envolvendo a escola de samba reflete a polarização política atual e os desafios que o carnaval enfrenta ao se entrelaçar com questões eleitorais. A situação permanece em desenvolvimento, e as reações tanto do público quanto dos políticos continuam a impactar o desfecho dessa história.

