Decisão Controversial do Flamengo
A recente dispensa dos atletas da equipe de remo paralímpico do Flamengo levantou questionamentos sobre a postura do clube em relação ao esporte paralímpico. Em entrevista à ESPN, os pararemadores relataram que a decisão do presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, foi motivada por sua aversão ao inclusivo, alegando que “o presidente não quer nenhum esporte paraolímpico dentro do clube”.
No dia 5 deste mês, a saída oficial de atletas como Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcellos e Valdenir Junior foi anunciada. Até então, havia rumores sobre possíveis cortes na equipe, mas muitos esperavam que isso resultasse apenas na redução do número de atletas, não na extinção do pararemo. Michel e Gessyca, que conquistaram diversos títulos, como ouro na Copa do Mundo de Varese, estavam confiantes de que seus resultados garantiriam sua permanência no Flamengo.
Descontentamento com a Gerência
Surpreendentemente, ao procurarem a gerência para esclarecer os boatos, a dupla recebeu a notícia do término do seu vínculo. Durante a reunião, a justificativa não foi de caráter financeiro, mas sim relacionada à falta de acessibilidade nas instalações do clube e a uma reunião em que Bap teria afirmado não querer modalidades paralímpicas no Flamengo.
“A gerente nos explicou que, além da questão financeira não ser um problema, o presidente de fato não deseja incluir atletas com deficiência no clube, para evitar conflitos com outros treinadores”, afirmou Gessyca. Ela ainda questionou a razão dada para a falta de acessibilidade, ressaltando que como atletas experientes, eles não necessitavam de auxílio para suas atividades.
Michel, que está há quase treze anos no Flamengo e carrega sequelas da poliomielite, expressou sua tristeza com a nova gestão, afirmando que a decisão reflete uma falta de apoio à inclusão de pessoas com deficiência. Para ele, a postura do clube parece ir contra a tendência mundial de valorizar o paradesporto.
Impacto na Comunidade e no Paradesporto
A decisão do Flamengo não só afetou os atletas do pararemo, mas também encerrou a modalidade de canoagem. O multimedalhista Isaquias Queiroz, entre outros atletas, deixou o clube após a oficialização das dispensas. A nota divulgada pelo Flamengo explicou que a escolha se baseou na ausência de residência e treinamento dos atletas na cidade, o que impossibilitava o desenvolvimento de um trabalho consistente.
Gessyca Guerra, que fez parte do Flamengo desde o início de sua carreira, criticou a justificativa apresentada, sugerindo que a verdadeira razão seria a rejeição ao paradesporto. “Seria mais honesto se reconhecessem que a decisão foi motivada por uma falta de interesse nas modalidades paralímpicas”, comentou. A dupla de atletas está agora focada na seletiva nacional prevista para o final de fevereiro, lidando com os desafios emocionais e financeiros decorrentes da suspensão de suas atividades no clube.
O que Diz o Flamengo?
O Clube de Regatas do Flamengo, ao ser abordado sobre a situação, reiterou que já havia se manifestado através de nota oficial e não faria comentários sobre questões internas. No comunicado, o clube expressou seu orgulho pelas conquistas de seus atletas paralímpicos e olímpicos, mas justificou a decisão como parte de uma estratégia para focar em modalidades que estejam alinhadas com sua filosofia de investimentos.
As declarações de Isaquias Queiroz em suas redes sociais demonstraram gratidão pelo tempo no clube e pelas oportunidades que recebeu. No entanto, a decepção e o sentimento de exclusão entre os atletas paralímpicos são evidentes, evidenciando um embate entre a visão do clube e a necessidade de inclusão e diversidade no esporte.
Próximos Passos
Agora, os atletas dispensados buscam novas oportunidades e articulações com outros clubes, sem perder de vista a importância do apoio e da estrutura necessária para o desenvolvimento do paradesporto. Gessyca e Michel, em especial, anseiam por um ambiente que valorize suas habilidades e promova a inclusão de atletas com deficiência.
As próximas semanas serão cruciais para que esses atletas reavaliem seus caminhos e decidam seus futuros, num cenário que promete ser desafiador, mas também cheio de novas possibilidades. O Flamengo, por sua vez, terá que lidar com as repercussões de suas escolhas, refletindo sobre seu papel no cenário esportivo e na inclusão social.

