Ex-governador Cláudio Castro encerra mandato
Em um pronunciamento realizado na sede do governo fluminense, Cláudio Castro anunciou sua renúncia ao cargo, reafirmando sua intenção de se candidatar ao Senado nas eleições de 2026. “Hoje encerro meu tempo à frente do governo do Estado. Como todos sabem, sou pré-candidato ao Senado”, afirmou Castro durante a coletiva de imprensa.
O ex-governador declarou que deixa o cargo “com a cabeça completamente erguida”, ressaltando que possui a maior aprovação popular e lidera as pesquisas para o Senado. No entanto, evitou responder a questionamentos dos jornalistas, que também não puderam participar da cerimônia de despedida no Palácio Guanabara.
Castro assumiu a governadoria em agosto de 2020, após o afastamento do então governador Wilson Witzel, que enfrentou investigações relacionadas a irregularidades na área de Saúde. Em 2022, Castro conseguiu a reeleição no primeiro turno, consolidando sua permanência no cargo.
Conquistas e desafios durante o governo
Durante seus 20 minutos de fala, o ex-governador destacou as realizações de seu governo, mencionando a devolução do “protagonismo” ao Estado. Um dos principais pontos abordados foi a segurança pública, em que Castro citou a realização da “maior operação policial do mundo”, referindo-se à atuação no Complexo do Alemão, que resultou em mais de 120 mortos no ano passado.
“Vencemos a guerra de narrativas e trouxemos o cidadão para o lado da segurança pública. Devolvemos o protagonismo ao Rio. A figura do governador voltou a ser respeitada”, afirmou Castro. Contudo, fez questão de ressaltar que, apesar das dificuldades, manteve uma relação de respeito com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-governador também fez uma crítica ao seu antecessor, Wilson Witzel, afirmando que ele não valorizou a posição de governador e que estava mais interessado em ser presidente desde o início de seu mandato. “Vivi intensamente esses seis anos com orgulho de ser governador”, completou.
Tensão antes do julgamento no TSE
A renúncia de Cláudio Castro ocorre em um momento delicado, às vésperas do seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde ele é réu por abuso de poder econômico e político durante o último pleito estadual. Acusado de contratar irregularmente cerca de 27,5 mil funcionários temporários para o Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisa e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj), além de 18 mil na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Castro enfrenta denúncias de que essas contratações foram feitas para atuar como cabos eleitorais.
O julgamento, conhecido como caso Ceperj, deve ser retomado nesta terça-feira (24). Até o momento, dois ministros votaram pela condenação de Castro, e a expectativa é que mais cinco se manifestem. Caso mais dois ministros se posicionem pela condenação, uma maioria será formada contra o ex-governador.
Sucessão e incertezas políticas
Castro optou por renunciar para evitar o desgaste de uma possível cassação. Segundo fontes próximas ao ex-governador, essa decisão foi também um acordo com seu partido, o PL, para ter maior controle sobre a escolha do sucessor que assumirá o mandato tampão.
De acordo com as regras eleitorais, caso Castro fosse cassado a menos de seis meses do fim de seu mandato, um novo governador seria escolhido através de eleição direta. Com a renúncia, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) irá definir o sucessor de forma indireta. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, deve assumir interinamente, convocando a eleição indireta em até 30 dias.
Entretanto, a situação na Alerj é complexa. A decisão liminar do ministro Luiz Fux, do STF, alterou as regras que permitiam um prazo menor de desincompatibilização para candidatos. Com a nova liminar, o prazo foi estendido para seis meses, e a votação se tornará secreta.
Antes de renunciar, Castro antecipou a exoneração de 13 secretários de Estado que eram candidatos nas próximas eleições, uma manobra para se adequar às novas regras. O PL, que ainda conta com a maioria na Alerj, busca alternativas para o próximo candidato ao governo interino, em um cenário onde o secretário de Cidades, Douglas Ruas, e o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, eram as opções iniciais.

