Entidade Busca Protagonismo nas Discussões
Na última semana, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) convocou representantes de clubes das Séries A e B para um encontro em um hotel no Rio de Janeiro. O objetivo foi dar início às discussões sobre a criação de uma liga única para o futebol nacional, um assunto que já deveria ter sido tratado há algum tempo.
A CBF, que comanda o futebol no Brasil, é clara em sua intenção de ter uma participação ativa na formação dessa liga e almeja manter sua influência em aspectos como arbitragem, calendário, fair play financeiro e a gestão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Para isso, meses atrás, a confederação lançou um sistema voltado à sustentabilidade financeira do futebol e iniciou um processo para profissionalizar os árbitros, mostrando que a intenção é preparar a estrutura do esporte para esse novo modelo.
Movimentos de Grupos Paralelos
Apesar da CBF estar à frente dessa articulação, os blocos Liga Brasileira de Futebol (Libra) e a Federação dos Futebol Unificado (FFU) têm buscado uma aproximação com a entidade. Esses grupos foram formados para gerenciar os direitos comerciais dos clubes durante o Campeonato Brasileiro. Contudo, a CBF optou por não convidar representantes deles para participar das discussões, reforçando sua posição de liderança.
A entidade, embora afirme que a nova liga deve ter o protagonismo dos clubes, evidencia que não deseja que o campeonato mais importante do Brasil avance sem sua presença e supervisão. O discurso da CBF é de que pode contribuir significativamente para a construção de um produto mais atrativo para os torcedores. Helder Melillo, diretor executivo da CBF, declarou que a confederação deve atuar como coordenadora e mediadora neste processo.
União e Maturidade: Chaves para o Sucesso
Em sua fala aos dirigentes, o vice-presidente da CBF, Gustavo Dias, ressaltou a importância da união entre os clubes. “Nada do que desejamos para o futebol brasileiro será possível sem união”, afirmou. Ele destacou que a maturidade, o diálogo e concessões mútiplas são essenciais para o avanço do projeto.
Na apresentação aos dirigentes, a CBF fez comparações com as principais ligas do mundo: a Premier League, da Inglaterra, a La Liga, da Espanha, e a Bundesliga, da Alemanha. Segundo a confederação, essas ligas são substancialmente mais valiosas do que o Campeonato Brasileiro, que é considerado subvalorizado. Um estudo realizado pela CBF apontou diversas questões que precisam ser abordadas para alavancar a liga, embora não tenham sido detalhadas as formas como isso poderia ser alcançado.
A Exploração dos Ativos Comerciais
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, que esteve presente na reunião, enfatizou que a divisão entre os clubes resulta na perda de receitas. “Quando os clubes estão divididos, muita receita fica na mesa”, explicou. Ele defendeu que o principal objetivo da nova liga é unir os clubes para explorar todos os ativos comerciais e garantir que uma maior parte das receitas revertam para os cofres dos times.
Além disso, a CBF abordou em seu relatório diversos pontos que necessitam de melhorias, como calendário, comunicação, êxodo de talentos, governança, infraestrutura de estádios, marketing, sustentabilidade financeira e os direitos de transmissão. A entidade parece determinada a transformar esses desafios em oportunidades para fortalecer o futebol brasileiro.

