Crescimento dos casos e desafios na vacinação
O Rio de Janeiro confirmou 211 casos de mpox em 2026, um crescimento expressivo de 77% em comparação aos 119 registros do ano anterior. Esse aumento, evidenciado pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs-RJ), revela um cenário preocupante para a saúde pública estadual. Só entre setembro e outubro, foram 90 diagnósticos, enquanto no mesmo período de 2025 foram apenas dez. A capital concentra a maioria dos casos, com 167 confirmações até o momento, superando os 94 registros do ano passado.
Apesar desse avanço, o acesso à vacinação permanece limitado. O Ministério da Saúde anunciou recentemente o envio de doses ao estado, mas não detalhou a quantidade ou o cronograma de distribuição. A imunização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está restrita aos grupos prioritários, o que para especialistas e ativistas é insuficiente diante da escalada da doença.
Ativistas destacam a urgência de ampliar prevenção e informação
Para o poeta e ativista Ramon Nunes Mello, é fundamental que a resposta à mpox envolva não apenas a vacinação, mas também a garantia de acesso amplo à prevenção e informação de qualidade. Ele ressalta que as populações mais vulneráveis, especialmente pessoas vivendo com HIV/aids e com o sistema imunológico comprometido, enfrentam riscos agravados pela falta de medidas adequadas.
“A mpox pode atingir qualquer pessoa, mas seus impactos são mais severos entre aqueles com imunossupressão avançada”, explica Ramon, que lembra a importância de evitar que o estigma e a desinformação prejudiquem o enfrentamento da doença. Segundo ele, vacinação, prevenção e informação são direitos e devem estar ao alcance de todos, sem privilégios.
Organizações sociais intensificam ações de orientação e denúncia
O Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro (GPV-RJ) tem se mobilizado para suprir as lacunas da rede pública. Márcio Villard, educador em Saúde Pública e ativista, conta que a falta de campanhas educativas contribui para o desconhecimento sobre a mpox e dificulta a busca por atendimento adequado. Ele denuncia ainda a ausência de vacinas na rede pública e destaca a necessidade de uma ampla campanha para informar a população.
“No momento, não há vacina disponível no Rio de Janeiro, e isso é grave”, alerta Villard, que também coordena esforços para articular estratégias conjuntas entre organizações e parceiros. A intenção é fortalecer a vigilância, a prevenção e o encaminhamento correto dos casos suspeitos.
Preparo da rede de saúde e desafios no diagnóstico
Outro ponto crítico levantado pela conselheira do Conselho Estadual de Saúde (CES-RJ), advogada Regina Bueno, é a capacidade da rede pública de saúde para identificar e atender pessoas com mpox. Ela destaca que o aumento dos casos próximo a feriados prolongados acende um alerta sobre a insuficiência das equipes para lidar com a demanda.
Regina enfatiza a dificuldade em reconhecer a mpox, cujos sintomas podem ser confundidos com outras doenças, e a carência de capacitação dos profissionais na atenção básica. A concentração dos atendimentos especializados na Fiocruz dificulta o acesso ao diagnóstico para boa parte da população.
“Estamos em um limbo lamentável, sem prevenção adequada nem preparo das equipes para identificar a doença”, afirma. A conselheira defende que a resposta deve ir além dos serviços especializados, com fortalecimento da atenção básica e da vigilância epidemiológica, garantindo orientações desde o primeiro contato com a rede.
Entenda os sintomas e como buscar atendimento
A mpox é uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato físico próximo com pessoas infectadas, especialmente quando há lesões na pele ou mucosas. A transmissão também pode ocorrer pelo compartilhamento de roupas, toalhas ou objetos contaminados. Embora a doença tenha sido associada a contatos sexuais, sua transmissão não está restrita a essa via.
Os sintomas incluem feridas ou bolhas na pele, que podem aparecer nas regiões genital, anal e oral, além de febre, dores musculares, mal-estar geral e aumento dos linfonodos, conhecidos popularmente como ínguas.
O Ministério da Saúde orienta que, ao identificar sinais suspeitos, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde, evitar contato físico próximo e não compartilhar objetos pessoais. O isolamento e o acompanhamento médico são recomendados até o fim do período de transmissibilidade.
No SUS, a vacinação é indicada para grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV/aids, imunossuprimidas, profissionais de laboratório expostos e contatos de risco, conforme avaliação da vigilância epidemiológica.
O cenário atual reforça a necessidade de investimentos na prevenção, informação e ampliação do acesso à vacina para conter o avanço da mpox no estado e garantir proteção à população mais vulnerável.

