Reflexões de uma Lenda do Cinema
A renomada atriz Brigitte Bardot, um dos grandes ícones do cinema francês, faleceu neste domingo (28), aos 91 anos. Desde que se afastou das telas na década de 1970, ela escolheu residir em Saint-Tropez, na deslumbrante Riviera Francesa. Este ano, Bardot fez uma exceção especial ao aceitar conceder uma última entrevista televisionada, que se tornou uma oportunidade única de ouvir suas reflexões profundas.
No dia 26 de março de 2025, a emissora francesa BFMTV invadiu a tranquilidade de sua casa para registrar essa conversa inestimável. Foi a primeira vez que a artista falou abertamente após mais de dez anos de reclusão, marcando um momento emocional para os fãs e admiradores. Durante a entrevista, Bardot abordou não apenas a sua luta pela abolição da caça à raposa na França, mas também compartilhou pensamentos sobre a solidão que vem com a velhice e, inevitavelmente, a morte.
“Afastei-me de grande parte da humanidade, a qual me causa repulsa. Tenho medo do que a humanidade está se tornando”, revelou ela, expressando seu descontentamento com o mundo atual. A reflexão sobre a vida e a morte não parou por aí. Bardot falou sobre a perda de seu amigo querido, Alain Delon, que faleceu em agosto de 2024, vítima de um linfoma. “A morte de um amigo nunca traz alívio. Estou muito, muito triste. Sinto muita falta dele. Estávamos em sintonia”, compartilhou com dor.
Bardot também refletiu sobre a solidão que a idade traz, lamentando a ausência de pessoas próximas: “Não me restou ninguém. Todos se foram.” Essa declaração ecoa a triste realidade de muitos que enfrentam a velhice, uma fase marcada pela perda e pela saudade.
A Relação de Bardot com a Morte
A atriz, que não hesitou em falar de temas difíceis, não demonstrou medo da morte. “Não penso muito nisso. Mas é verdade que ela me acompanha por toda a vida”, afirmou com uma sinceridade desconcertante. Bardot já havia enfrentado momentos sombrios em sua vida, incluindo uma tentativa de suicídio em setembro de 1960, quando tinha 26 anos. Após ingerir comprimidos e cortar os pulsos, foi salva por um jovem que a encontrou desacordada em uma propriedade rural. Esse episódio marcou sua trajetória e a atriz conviveu com a depressão até o fim da vida.
Questionada se temia desaparecer quando chegasse sua hora, Bardot respondeu de forma categórica: “Pelo contrário. Nossa! A vida moderna faz a morte parecer algo extraordinário.” Suas palavras trazem à tona um olhar diferente sobre a finitude, um convite à reflexão sobre o que significa viver e morrer, especialmente em um mundo que muitas vezes glorifica a juventude e ignora a sabedoria dos mais velhos.
Brigitte Bardot deixou um legado imenso no cinema e na luta por causas sociais. Sua última entrevista não é apenas um testemunho de sua vida como artista, mas também um relato profundo sobre a condição humana, as perdas que todos enfrentamos e a inevitável passagem do tempo. A atriz será sempre lembrada não apenas por sua beleza e talento, mas também pela coragem em compartilhar suas verdades mais íntimas.

