Lideranças do Congresso Ausentes em Cerimônia de Lembrança
A presidência da Câmara dos Deputados e do Senado optaram por não comparecer mais uma vez à cerimônia em defesa da democracia, marcada para o dia 8 de janeiro, no Palácio do Planalto. O atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não estarão presentes na ocasião, que busca rememorar os eventos de 2023, quando ocorreram os ataques golpistas.
A ausência das duas lideranças ocorre em um contexto de tensão nas relações com o governo. A expectativa é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete o projeto que anistia os participantes das tentativas de golpe do dia 8 de janeiro, uma questão que tem gerado descontentamento e divisões dentro do Legislativo.
Um Histórico de Ausências
Historicamente, nenhum presidente da Câmara tem comparecido aos atos oficiais em memória dos eventos de 8 de janeiro. Este ano, a situação se repete, acentuando a percepção de um distanciamento entre o Legislativo e o Executivo. O antecessor de Motta, Arthur Lira (PP-AL), também não participou das cerimônias em 2024 e 2025, sinalizando uma continuidade nesse padrão.
Além disso, diferentemente do que ocorreu em anos anteriores, o Legislativo não organizou nenhum evento próprio para marcar a data. O primeiro ato significativo de defesa da democracia ocorreu em 2024, no Congresso Nacional, mas foi marcado por uma ausência generalizada dos líderes. Naquela oportunidade, Lira alegou problemas de saúde na família, enquanto Rodrigo Pacheco (PSD-MG), então presidente do Senado, foi o único representante do Legislativo presente.
Reações e Análises das Ausências
O fato de que tanto Motta quanto Alcolumbre não participarão do ato deste ano foi interpretado por muitos parlamentares governistas como um reflexo da fragmentação política sobre a resposta aos ataques de 8 de janeiro. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), comentou que a ausência dos presidentes das casas reflete a falta de um movimento político coeso contra as tentativas de golpe. “Não existe um movimento político consistente contra a tentativa de golpe. Está claro que houve tentativas de minimizar o que ocorreu”, afirmou.
Por outro lado, a estratégia de Motta e Alcolumbre é vista como uma tentativa de manter um equilíbrio político, especialmente considerando que ambos foram eleitos com o apoio de partidos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dois líderes estão buscando reeleição, o que os leva a adotar uma posição mais cautelosa em relação a suas bases.
Expectativa de Vetos e Reações
Aliados do governo rejeitam a ideia de que a ausência dos presidentes do Congresso esteja ligada à expectativa de veto presidencial ao projeto que anistia os golpistas. Para eles, Lula não utilizaria a cerimônia como palco para anunciar um veto e deslegitimar o Congresso. O líder do PDT, Mário Heringer (PDT-MG), enfatizou que a decisão de vetar não precisa ocorrer durante a solenidade, pois isso poderia ser interpretado como uma disputa desnecessária com os legisladores.
Lindbergh complementou que, se Motta e Alcolumbre estivessem presentes, o veto poderia ser anunciado no dia seguinte, sem a necessidade de fazê-lo durante o ato. Essa visão reflete uma compreensão de que a responsabilidade pela não participação recai sobre os próprios líderes e suas escolhas políticas.
Impacto dos Ataques de 8 de Janeiro
Os eventos de 8 de janeiro de 2023 marcaram um momento sombrio na história política brasileira, com o Congresso Nacional sendo um dos primeiros alvos dos ataques. Estima-se que mais de 400 computadores e diversos bens materiais, como televisores e obras de arte, foram danificados durante os tumultos. Um levantamento realizado pela Polícia Federal e pela Universidade Federal de Minas Gerais identificou 186 peças de arte danificadas, com um prejuízo material estimado em R$ 12 milhões.
Com os danos acumulados ao Congresso, ao Supremo Tribunal Federal e ao Palácio do Planalto, o total das perdas chega a R$ 20 milhões, evidenciando a gravidade dos ataques e a necessidade de um posicionamento firme por parte das lideranças políticas. A ausência de Motta e Alcolumbre na cerimônia deste ano levanta questionamentos sobre a postura do Congresso frente a esse incidente histórico.

