Decisão Polêmica sobre Gratificação para Policiais
A recente reintrodução da chamada “gratificação faroeste” para policiais civis do Rio de Janeiro provocou uma série de contestações judiciais e reações entre os deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), além de instigar entidades que defendem os direitos humanos. Este benefício contempla bônus que podem chegar a até 150% do salário para os agentes que se destacam em operações, gerando debates acalorados sobre sua legalidade e moralidade.
O deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ) não hesitou em protocolar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o artigo 21 da Lei Estadual nº 11.003/2025. Este artigo foi o responsável pela criação da gratificação controversa. O texto original da lei, que visa reestruturar o quadro da Secretaria Estadual de Polícia Civil, recebeu uma emenda polêmica durante sua tramitação na Alerj, o que gerou uma série de questionamentos.
Veto do Governador e Reação dos Deputados
Após a aprovação da lei, o governador Cláudio Castro (PL-RJ) optou por vetar o dispositivo, argumentando que sua implementação poderia comprometer o orçamento do estado. “O veto busca garantir o equilíbrio das contas públicas e assegurar a boa gestão dos recursos do Estado”, declarou o governador à época. Contudo, em uma sessão realizada no dia 18 de dezembro, os deputados estaduais decidiram derrubar o veto, revalidando assim o benefício aos policiais civis.
A Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal também se mostraram contrários ao artigo, considerando-o inconstitucional. Eles argumentam que tal medida poderia incentivar a letalidade policial, algo que Minc reforçou em sua ação, classificando a gratificação como um mecanismo de “extermínio recompensado” e “insano”.
O pedido do deputado foi protocolado na sexta-feira, dia 26, justamente na mesma data em que a derrubada do veto foi publicada no Diário Oficial do Estado. O caso agora está sob análise do desembargador Andre Emilio Ribeiro Von Melentovytch, sorteado para avaliar a ação. Importante mencionar que a gratificação já fora aplicada no Rio de Janeiro entre 1995 e 1998, antes de ser suspensa após denúncias de execuções e pressão da própria Alerj.
Essa discussão em torno da gratificação evidencia o dilema que permeia a segurança pública no Brasil. Por um lado, há a insistência em recompensar policiais que se destacam em operações, mas, por outro, a necessidade de garantir que essas operações não resultem em abusos ou violências desnecessárias. A pressão sobre os deputados e o governo do estado para que se encontre um equilíbrio entre a motivação das forças de segurança e a proteção dos direitos humanos continua a ser um dos principais desafios enfrentados pelo Estado do Rio de Janeiro.

