Uma Vitória Surpreendente no Critics Choice
O diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso, radicado em Lisboa, Portugal, vive um momento de grande destaque na sua carreira. Com apenas 37 anos, ele foi premiado no Critics Choice Awards por sua excepcional direção de fotografia no filme “Sonhos de trem”, produção disponível na Netflix que já tem conquistado prêmios e elogios em diversos festivais. Veloso superou concorrentes renomados, incluindo Michael Bauman, Autumn Durald Arkapaw e Claudio Miranda, demonstrando que seu trabalho é reconhecido não apenas no Brasil, mas também no cenário internacional.
“O prêmio no Critics foi uma surpresa. É difícil de acreditar que ganhei”, compartilhou Veloso em entrevista ao GLOBO. Ele admitiu que não esperava ser premiado e que estava tranquilo durante a cerimônia, pois não acreditava ter chances reais. O sentimento de estar cercado por figuras influentes do cinema, como Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura, já era uma vitória para ele. O momento da premiação foi celebrado com entusiasmo: “Quando anunciaram a vitória de ‘O agente secreto’, eu gritei ‘Vai Brasil!’ na mesa do meu filme”, contou.
Expectativas Contidas para o Oscar 2026
Além do Critics Choice, Veloso também está indicado ao Film Independent Spirit Awards e figura entre os 16 pré-indicados ao Oscar 2026. Especialistas de publicações como o Hollywood Reporter e a Variety acreditam que ele deverá ser um dos finalistas quando as indicações forem reveladas no próximo dia 22. No entanto, Veloso prefere manter os pés no chão e não se deixar levar pela expectativa.
“Quando você trabalha em um projeto como ‘Sonhos de trem’, que é considerado pequeno para os padrões de Hollywood, o reconhecimento não é uma preocupação. Meus amigos costumam dizer que vou ser indicado ao Oscar, mas estou tentando baixar as expectativas deles”, explicou. Ele se diverte ao mencionar que, se a indicação acontecer, será uma felicidade imensa, mas o que realmente importa para ele são as experiências que está vivenciando com o filme.
Uma Parceria Frutífera com Clint Bentley
Em “Sonhos de trem”, Veloso retoma a colaboração com o diretor Clint Bentley, com quem já havia trabalhado no drama “Jockey” (2021). O contato inicial entre eles ocorreu após Bentley assistir ao documentário “On Yoga: Arquitetura da paz”, também fotografia de Veloso. O diretor americano buscava alguém que conseguisse mesclar a estética do ficcional e do documental, e, após a primeira experiência, não hesitou em convidá-lo para este novo projeto.
A história de “Sonhos de trem” é baseada no livro homônimo de Denis Johnson e narra a vida de Robert Grainer, interpretado por Joel Edgerton, um lenhador que trabalha na construção da malha ferroviária nos Estados Unidos durante o início do século XX. Esse trabalho o afasta longos períodos de sua esposa, interpretada por Felicity Jones, e sua filha, o que gera um conflito emocional que permeia a narrativa.
Desafios e Conexões em ‘Sonhos de trem’
Veloso compartilhou que um dos principais desafios na direção de fotografia do filme foi entender a essência do que estava sendo abordado. “O filme possui um caráter quase de fábula, com uma narrativa que é contada de forma não linear, quase como se fosse lembranças de uma vida sendo revisitadas”, explicou. O diretor buscou capturar essa sensação de memória e de fotografia familiar, o que tornou seu trabalho ainda mais significativo para ele.
“Identifiquei-me profundamente com a história e o personagem, e meu objetivo foi ajudar as pessoas a se conectarem emocionalmente com a trama”, afirmou Veloso. Formado em cinema em São Paulo, ele tem uma trajetória diversificada, passando por diferentes departamentos e formatos, incluindo curtas, longas, documentários e clipes, como os de Pabllo Vittar e Gloria Groove.
Seu reconhecimento no cinema internacional é evidente, mas Veloso também carrega em sua bagagem importantes títulos do audiovisual brasileiro, como “Tungstênio” (2018) e “Rodantes” (2021). O futuro do diretor parece promissor e a expectativa cresce à medida que novas conquistas se aproximam.

