Oportunidades Econômicas na Baía de Guanabara
A revitalização da qualidade ambiental na Baía de Guanabara está criando novas perspectivas para a economia local. “Ao melhorar a relação da população com a baía, surgem oportunidades para desenvolver a economia azul, com negócios voltados para os recursos hídricos e as águas”, afirmou Ana Asti, subsecretária do Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Rio de Janeiro. Durante o seminário ‘RJ Resiliente’, a subsecretária destacou que o foco não se limita apenas aos municípios vizinhos, mas abrange todos os 25 municípios costeiros do estado. A parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro visa identificar o potencial da economia azul em toda a área. Ana Asti defende que a conexão entre desenvolvimento econômico e meio ambiente é fundamental para um verdadeiro progresso sustentável.
A subsecretária definiu a concessão do saneamento como um empreendimento audacioso, descrevendo-o como o maior projeto ambiental do Brasil. Com a recuperação da fauna local, como golfinhos e tartarugas, e o retorno dos banhistas às praias, pequenas e médias empresas do setor de turismo e lazer têm agora um vasto horizonte de possibilidades. Segundo Ana Asti, o turismo se mostra como um importante vetor para a economia azul, abrangendo atividades que vão além do lazer, incluindo pesca, produção de mel em manguezais e transporte aquaviário.
Colaboração e Tecnologia na Gestão da Água
O segundo painel do seminário contou com a presença de figuras importantes, como a geógrafa Tamara Grisolia, do Programa de Saneamento Ambiental (Psam) do Estado do Rio. Ela destacou a importância de trabalhar em conjunto com os municípios para o planejamento e execução das obras de saneamento. “Estamos desenvolvendo muitos projetos interessantes, como o relatório ambiental anual, que visa coletar dados e índices variados para diagnosticar a situação do estado e traçar ações de melhoria”, explicou.
Além disso, o Psam está estabelecendo uma base de dados geoespacial acessível pela internet, para garantir maior transparência à população sobre as condições do saneamento no estado. A geógrafa enfatizou que “dar transparência à população é parte essencial da nossa missão”.
Outro destaque foi o projeto de monitoramento da Baía de Guanabara, apresentado pelo professor Luiz Paulo Assad, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Coppe/UFRJ. Ele ressaltou que a inibição dos poluentes e a renovação natural das águas são fundamentais para retomar a balneabilidade das praias. “Desenvolvemos uma plataforma digital para monitorar as condições oceanográficas e meteorológicas da baía”, comentou o professor, que também mencionou a importância de entender as diferentes regiões da baía, que têm características distintas.
Fiscalização e Avanços Ambientais
O biólogo Mario Moscatelli destacou que a fiscalização é crucial para a proteção ambiental. “Decadas de descaso permitiram que nossas bacias hidrográficas se tornassem valões de esgoto e lixo. Precisamos fortalecer o setor de fiscalização. O criminoso ambiental deve sentir que seus atos terão consequências severas”, afirmou.
Ele também compartilhou exemplos positivos de recuperação ambiental, citando a Lagoa Rodrigo de Freitas como um modelo de restauração de ecossistemas. “Desde a implementação do novo marco do saneamento, a qualidade da água melhorou significativamente, e hoje a lagoa abriga capivaras, lagartos teiú e uma diversidade de aves, tornando-se um centro de ecoturismo”, disse Moscatelli.
A subsecretária Ana Asti anunciou que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) está reforçando a fiscalização com mais tecnologia. O programa ‘De Olho no Verde’ é uma iniciativa que monitora desde pequenas infrações até grandes crimes ambientais. “A participação da sociedade é vital. Informar sobre despejos ilegais ou cortes de manguezais pode nos ajudar a agir rapidamente”, concluiu Ana Asti.
Resultados na Recuperação Florestal e Saneamento
Além das iniciativas voltadas para o saneamento, o estado do Rio de Janeiro também obteve resultados significativos em relação ao desmatamento. Em 2023, houve uma redução de 68% nas áreas de Mata Atlântica. Com investimentos de R$ 530 milhões provenientes do Fundo da Mata Atlântica, a restauração florestal é uma prioridade. Além disso, 90% dos incêndios florestais no estado são de origem criminosa, o que demanda esforços contínuos de fiscalização e conscientização.
Com relação ao saneamento básico, a expectativa é que o tratamento de esgoto na região metropolitana aumente de 45% em 2021 para 90% até 2033, refletindo um avanço significativo nas condições de saúde pública e ambiental.

