Brigitte Bardot: Ícone do Cinema e Ativista pelos Animais
A Fundação Brigitte Bardot anunciou, com grande pesar, o falecimento de sua fundadora e presidente, Brigitte Bardot, uma das atrizes e cantoras mais reconhecidas mundialmente. O comunicado, enviado à agência AFP, destaca a escolha de Bardot em deixar uma carreira brilhante para se dedicar integralmente à defesa dos animais e à sua fundação.
Nascida em Paris em 28 de setembro de 1934, Brigitte Anne-Marie Bardot foi uma artista multifacetada. Começou sua formação em balé clássico no Conservatório Nacional de Música e Dança e logo se destacava como modelo em revistas renomadas, como a Elle. A sua estreia no cinema ocorreu em 1952 com o filme “A Garota do Biquíni”, mas foi em 1956, com “E Deus Criou a Mulher”, que conquistou fama global. Este longa, dirigido por seu então marido, Roger Vadim, foi considerado ousado para a época e chegou a ser censurado em Hollywood, o que apenas alavancou sua popularidade.
Brigitte foi reconhecida como “a mulher que inventou Saint-Tropez”, e se tornou um símbolo da liberdade sexual feminina, rompendo com padrões conservadores e provocando controvérsias por onde passava. Em 1957, chegou a ser alvo de boicotes promovidos por padres em Nova York, além de ser rotulada pelo Vaticano como uma “má influência”. Contudo, essa rejeição apenas aumentou o número de espectadores em suas produções.
Com uma carreira impressionante, Bardot atuou em mais de 45 filmes e lançou 70 músicas, tornando-se um ícone estético e cultural. Sua famosa “pose Bardot” — caracterizada por pernas cruzadas e um olhar sedutor — e o estilo de decote que leva seu nome continuam a influenciar a moda até hoje.
Transformação de Búzios e Vida Pessoal
Em 1964, Brigitte Bardot fez história ao transformar Búzios, localizada na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, em um famoso destino turístico. Sua primeira visita ocorreu em janeiro daquele ano e, após retornar no final de 1964, ela encontrou na vila um verdadeiro refúgio, onde permaneceu por cerca de quatro meses acompanhada de seu então namorado, Bob Zagury, um franco-marroquino-brasileiro.
No entanto, sua segunda visita foi marcada por uma perseguição intensa de repórteres e fotógrafos, levando-a a deixar o local. Bardot teve um impacto significativo na economia da cidade, que nomeou a orla em sua homenagem (Orla Bardot) e ainda mantém uma estátua de bronze em sua memória.
Brigitte passou por quatro casamentos: o primeiro com Roger Vadim, seguido por Jacques Charrier, Gunter Sachs e, por último, Bernard d’Ormale, com quem está casada desde 1992. Com Charrier, teve seu único filho, Nicolas-Jacques, nascido em 1960. A relação entre mãe e filho foi complicada, e Bardot admitiu em várias ocasiões que não se via como uma mãe perfeita.
“Não fui feita para ser mãe,” confessou Bardot em uma de suas declarações. “Sempre amei animais e crianças, mas nunca tive maturidade suficiente para criar um.” Nicolas, que cresceu com a família paterna, só se reconcilou com a mãe décadas depois, em 1996.
Além de sua vida amorosa agitada, Bardot teve relacionamentos com nomes famosos como Sacha Distel e Warren Beatty. Ela costumava falar sobre sua busca por paixão: “Quando ela acabava, eu fazia as malas.”
Ativismo e Legado
Aposentando-se do cinema em 1973, aos 39 anos, Brigitte Bardot se dedicou inteiramente ao ativismo em prol dos direitos dos animais. Em 1986, fundou a Fundação Brigitte Bardot, que se dedica ao resgate, proteção e campanhas de esterilização de animais. Vegetariana convita, a atriz investiu mais de £ 90 mil (aproximadamente R$ 657 mil) para ajudar cães abandonados em Bucareste e chegou a ameaçar se mudar para a Rússia após um zoológico francês recusar tratamento a dois elefantes doentes.
Com sua morte, Brigitte Bardot deixa um legado duradouro tanto no mundo do entretenimento quanto na luta pelos direitos dos animais, sendo lembrada por sua ousadia e comprometimento.

