Desafios da Oposição e a Hegemonia do PT
A chegada de Heloísa Helena à Câmara dos Deputados, como suplente do ex-deputado Glauber Braga, traz à tona discussões acaloradas sobre as relações dentro da esquerda e a postura do Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista, Heloísa não hesitou em criticar a maneira como a presidência da Casa lidou com a oposição, afirmando que as respostas institucionais muitas vezes seguem a moral das conveniências, que acaba por acobertar os erros dos aliados e condenar os adversários. A ex-senadora recordou que há duas décadas, já havia enfrentado situações de repressão sob o governo do atual presidente Lula. ‘É inaceitável sempre, não importa quem esteja à frente da instituição’, declarou Heloísa.
Sobre o clima político atual, Heloísa ressaltou a importância dos movimentos sociais que, nas ruas, contrabalançam o autoritarismo e as perseguições que ameaçam a democracia no Brasil. ‘Toda manifestação contra retrocessos é crucial para o fortalecimento da nossa frágil democracia’, afirmou, destacando a necessidade de resistência perante o que considera um cenário de crescente autoritarismo.
Movimentações da Direita e Desafios para 2026
Enquanto o Brasil se prepara para um novo ciclo eleitoral, a articulação de figuras da direita, como o senador Flávio Bolsonaro, não passa despercebida. Heloísa avalia essa movimentação como parte de uma velha estratégia política, onde sobrenomes conhecidos e alianças eleitorais se tornam mais relevantes que propostas concretas de governo. ‘A vitória deles na próxima campanha presidencial parece improvável, mesmo que a força de suas articulações seja inegável’, comentou.
No campo progressista, a expectativa gira em torno da reeleição de Lula. Contudo, Heloísa, que se distanciou do PT em 2003 por questões ideológicas, reitera que a Rede e outras forças de esquerda devem se concentrar em construir um programa que promova mudanças estruturais no país. ‘Não contem comigo para apoiar reformas que beneficiem o grande capital ou privatizações que comprometam nosso futuro’, declarou firmemente.
Críticas e Ideologia na Política
É interessante notar que Heloísa mantém sua posição crítica em relação ao atual governo, mesmo diante de reconciliações de outros dissidentes com o PT. ‘Minhas convicções são ideológicas e não pessoais’, afirmou, ressaltando que sua postura se alinha com princípios de coerência e compromisso social. Durante seu discurso de posse na Câmara, ela não poupou críticas à privatização de recursos naturais e à exploração de terras raras, que considera um crime contra a soberania nacional. ‘Reproduzir a história fracassada da exportação mineral sem beneficiamento é perpetuar a subserviência econômica’, argumentou.
Federando-se com o PSOL: Um Olhar Crítico
Com a proposta de federação entre o PT e o PSOL ganhando corpo, Heloísa se mostra cética. ‘O PT sempre busca hegemonia na esquerda, e essa federação parece mais vantajosa para eles do que para os demais’, afirmou. No entanto, ela acredita que a união entre PSOL e Rede é fundamental para fortalecer as pautas progressistas. ‘Enfrentamos desafios eleitorais complexos, e nossa aliança pode nos tornar mais robustos’, destacou.
Por fim, em relação à ministra Marina Silva, que recebeu propostas para deixar a Rede e se filiar ao PT ou ao PSB, Heloísa se esquivou de comentar diretamente, enfatizando que cada partido tem legitimidade para decidir seu caminho. ‘O que importa é que as discussões devem acontecer dentro das instâncias partidárias’, concluiu.

