Flexibilização de limites pode impactar concorrência entre Santos Dumont e Galeão
A discussão em torno da flexibilização do limite de passageiros no Aeroporto Santos Dumont, localizado no coração do Rio de Janeiro, trouxe à tona um intenso debate entre autoridades locais e o setor produtivo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) propõe aumentar o teto de 6,5 milhões para 8 milhões de passageiros por ano, o que, segundo especialistas, pode ter consequências significativas para a economia local e o equilíbrio entre os aeroportos da cidade.
A proposta, que foi anunciada pelo ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, durante uma entrevista à GloboNews na última segunda-feira (22), visa responder à crescente demanda por voos. Desde 2024, a restrição atual tem se mostrado eficaz, resultando em um aumento de 23% no número de passageiros desde sua implementação, conforme dados da Infraero e da concessionária RioGaleão.
O limite de voos no Santos Dumont foi estabelecido após um acordo em 2023, projetando um equilíbrio entre os dois principais aeroportos da cidade. Com o Galeão operando com apenas 30% de sua capacidade em alguns períodos, o objetivo era garantir que ambos os terminais pudessem prosperar sem sobrecarga em um deles.
Desde a adoção das restrições, o movimento total nos aeroportos do Rio cresceu. De janeiro a novembro de 2023, Santos Dumont e Galeão somaram 17,6 milhões de passageiros, enquanto o número subiu para 21,7 milhões em 2025. No entanto, a mudança na dinâmica do setor é visível: o Santos Dumont viu sua movimentação cair pela metade, enquanto o Galeão experimentou um crescimento acentuado, mais que dobrando seu fluxo de passageiros.
Com dados indicando um aumento de 23,6% nas rotas domésticas no Galeão, a Anac justifica a reavaliação do limite atual. A expectativa é de que a flexibilização não apenas aumente o número de passageiros no Santos Dumont, mas também amplie as oportunidades de conexão para outras cidades, beneficiando a conectividade aérea do país.
Entretanto, a proposta enfrenta resistência. A Prefeitura do Rio e diversas entidades do setor, como a Fecomércio e a Firjan, expressam preocupações sobre um possível desequilíbrio no sistema aeroportuário. As críticas se concentram na possibilidade de que o aumento no número de voos no Santos Dumont prejudique o Galeão, afetando negativamente o turismo e os serviços locais.
Especialistas têm alertado que o modelo atual trouxe benefícios significativos, não apenas para o número de passageiros, mas também para a movimentação de cargas. A posição da Gol, que apoia o modelo restrito, destaca como o mesmo pode promover a conectividade e estimular o setor. Por outro lado, a Latam e outras companhias ainda não se manifestaram publicamente sobre a mudança proposta.
A Anac, por sua vez, defende que as decisões são tomadas em processos administrativos transparentes e que a flexibilização não será implementada de forma abrupta. O ministro Costa Filho enfatizou que o crescimento do Santos Dumont é essencial para a economia da cidade, buscando um crescimento equilibrado que não comprometa o desempenho do Galeão.

