Braskem aposta em flexibilidade e eficiência com o mercado livre de gás natural
A partir de 1º de novembro, a Braskem inicia sua operação no mercado livre de gás natural no Estado do Rio de Janeiro. Essa decisão surge após o governo estadual, a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) e a Naturgy estabelecerem, em 2 de outubro, o limite mínimo de consumo para consumidores livres em 10 mil metros cúbicos diários. Essa alteração regulatória permitiu que a Braskem se enquadre como consumidora livre, abrindo caminho para uma compra direta do insumo junto a produtores ou fornecedores, com pagamento pelo uso da rede de distribuição.
Impactos práticos na produção e custos da companhia
Gustavo Checcucci, diretor de energia e descarbonização industrial da Braskem, destaca que a mudança facilitará o gerenciamento do acesso ao gás e a distribuição entre as unidades da empresa, que já operam no mercado livre em São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia. Segundo ele, a unidade do Rio pode ampliar sua produção em 2%, um ganho significativo para o contexto atual da indústria petroquímica global.
Checcucci ressalta ainda que a Braskem terá um ganho de competitividade de aproximadamente 50% na molécula de gás, o que se traduz em uma redução de 25% a 30% no custo final. “Dependendo do nível de operação, custo da matéria-prima e margem petroquímica, o potencial de ampliação da produção é real”, afirma.
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Regulação estadual e mercado livre: desafios e oportunidades
O mercado de gás natural no Brasil é regulado por cada Estado, que define suas regras para a migração ao mercado livre. Para consumidores cativos, como residenciais, comerciais e usuários de gás veicular (GNV), o fornecimento permanece sob responsabilidade das distribuidoras. A abertura gradual para o setor industrial mantém esse modelo para os consumidores cativos, conforme explica a Agenersa.
Atualmente, a Braskem consome cerca de 2 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente em todas as suas unidades no país. Embora o consumo da planta no Rio seja menor que nas demais, representa um volume relevante para a produção. O custo do gás, segundo Checcucci, pode ser decisivo para o custo de oportunidade da companhia.
Leilão da PPSA reforça potencial de competitividade do gás
O leilão realizado pela União da Pré-Sal Petróleo (PPSA), em 22 de outubro, confirmou o potencial de competitividade do gás natural. A Braskem foi uma das 23 empresas vencedoras entre as 36 habilitadas, adquirindo parte do volume total ofertado, que somou 1,1 milhão de metros cúbicos por dia em 110 lotes.
Para Checcucci, tanto o leilão da PPSA quanto a migração das indústrias para o mercado livre no Rio refletem um apetite crescente por gás a preços mais acessíveis. “O governo do Rio compreendeu a importância do tema, enquanto a esfera federal avançou na política pública para esse leilão”, avalia.

