O sucesso da FLIN em Niterói
Mais de 50 mil visitantes passaram pelo Reserva Cultural entre os dias 13 e 16 de abril para prestigiar a festa literária Internacional de Niterói (FLIN). O evento, que vai muito além de um simples encontro cultural, superou em 65% o público esperado, que inicialmente era de 30 mil pessoas. Durante quatro dias, a literatura e a cultura se destacaram como protagonistas, reunindo um público amplo e diverso em uma celebração que ultrapassou as fronteiras tradicionais dos encontros literários.
Um panorama da diversidade cultural
Na sua terceira edição, a FLIN ampliou seu alcance, consolidando-se como uma referência no cenário cultural. Escritores, artistas, pesquisadores, comunicadores, estudantes e leitores se encontraram para debater temas variados e prestar homenagem à intelectual Lélia Gonzalez, figura central da edição cujo tema foi “Territórios das Palavras”. A programação gratuita aproximou diferentes linguagens artísticas — literatura, música, teatro, audiovisual, jornalismo e cultura popular —, ocupando espaços com atividades lotadas e encontros que dialogaram diretamente com o público.
Reconhecimento e carinho pela cidade
Niterói, mais uma vez, mostrou sua vocação para a cultura, sendo celebrada por participantes nacionais e internacionais. O escritor português Valter Hugo Mãe, ganhador do Prêmio Literário José Saramago, recordou sua primeira visita à cidade há 25 anos, destacando a importância desse período em sua vida. A youtuber e jornalista Jout Jout, natural de Niterói, resgatou memórias da infância e das escolas onde estudou, como o Abel e o Instituto GayLussac, além de elogiar a acústica da Sala Nelson Pereira dos Santos, projetada por Niemeyer.
A atriz e escritora Fernanda Torres também fez questão de expressar seu afeto pela cidade, mencionando momentos passados em Piratininga com seus filhos. O filólogo e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Ricardo Cavaliere, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou a sensação de estar em casa durante o evento.
Momentos marcantes de encerramento
No domingo, 16 de abril, a programação contou com participações que emocionaram o público. O rapper Emicida dialogou com a jornalista Luciana Barreto sobre suas raízes, a construção de narrativas e a influência da homenageada Lélia Gonzalez em sua trajetória. Emicida ressaltou a importância do evento para o fortalecimento da literatura e sua conexão com a cultura.
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Fernanda Torres encerrou a FLIN com a leitura do primeiro capítulo de seu livro “A Glória e seu Cortejo de Horrores”, seguida de um bate-papo sobre o processo criativo e o exercício de se colocar no lugar do personagem, uma habilidade que ela desenvolveu ao longo da carreira como atriz.
Programação extensa e convidados de destaque
Esta edição da FLIN contou com mais de 200 convidados e 62 horas de programação distribuídas em quatro palcos simultâneos. O número de autores inscritos mais que dobrou em relação ao ano anterior, passando de 103 para 257 participantes, reunindo escritores de Niterói, Rio de Janeiro, Maricá, Itaboraí e São Gonçalo.
Dentre os nomes presentes estiveram Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Valter Hugo Mãe, Eliana Alves Cruz, Ruy Castro, Jout Jout, Fabrício Carpinejar, Ana Maria Machado, Ondjaki, Luiz Antonio Simas, Lilia Schwarcz, Míriam Leitão, Marcelo Quintanilha, Tatiana Salem Levy, Jessé Souza, Marcelo Adnet e Ana Paula Araújo, além de jornalistas, pesquisadores, roteiristas, artistas e influenciadores de diversas áreas.
O crescimento da festa e a cadeia do livro
A FLIN também expandiu sua participação de editoras, passando de 10 em 2025 para 13 em 2026, com a presença de selos como Pictos Editora, Garota FM Books, Bloco Narrativo, Dowslley Editora, Se Liga Editorial, Editora Pé de Palavra, Risco Editora, Editora Itapuca, Vira-Tempo Editora, MoMa Editora, Editora Comunitá, Editora Violeta e DB Editora.
As três livrarias presentes — Livraria Leitura, Blooks e Livraria Ponte — venderam cerca de 4 mil exemplares, enquanto o cadastro para o Cartão Araribóia, moeda social de Niterói, conectou a política cultural local à economia do livro. A Academia Brasileira de Letras (ABL) doou 1.500 livros durante o evento, reforçando o apoio institucional junto à Biblioteca Nacional.
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Legado e homenagens
A homenagem a Lélia Gonzalez foi o eixo central da programação, inspirando debates sobre raça, gênero, ancestralidade, memória, território, educação, oralidade, diversidade e transformação social. Sob o tema “Territórios das Palavras”, a FLIN propôs pensar a literatura como ferramenta de pertencimento, resistência e construção de narrativas que dialogam com a realidade brasileira.
A curadoria ficou a cargo de Vilma Piedade, Elisa Ventura, MC Marechal, Edu Krieger, Carla Portilho, Jordão Pablo de Pão e Jackson Jacques, diretor artístico do evento.
Compromisso social e ambiental
A edição também se destacou por ações voltadas à responsabilidade social e ambiental. Estudantes da rede pública participaram de atividades de formação de leitores, enquanto o Instituto Léo Solidário promoveu a troca de livros por resíduos e a arrecadação de alimentos para o Banco de Alimentos de Niterói, por meio da campanha 1 Kg de Alimentos Solidários.
Com tradução em Libras e audiodescrição em diversas atividades, a FLIN 2026 contou com o patrocínio da Águas de Niterói e o apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF), Academia Brasileira de Letras (ABL), Biblioteca Nacional e Ecovias Ponte, ampliando a acessibilidade e o alcance do evento para diferentes públicos.

