Um encontro que celebra a diversidade literária
Mesmo com a chuva, o terceiro dia da Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN), realizado no sábado (15) no Reserva Cultural, não teve a presença do público abalada. Pessoas de todas as idades se reuniram desde cedo no espaço em São Domingos para participar de uma programação rica em debates, lançamentos, sessões de autógrafos, atividades infantis e apresentações culturais. O evento segue aberto ao público até domingo (16), com entrada gratuita.
Programação com temas atuais e autores renomados
Com o tema “Territórios das Palavras”, a FLIN trouxe nomes como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Luiz Antônio Simas, Ana Paula Araújo, Jessé Souza e Fabrício Carpinejar. As mesas redondas abordaram temas que vão da violência de gênero à história do Rio de Janeiro, cultura popular, reparação histórica, criação literária e representatividade, ampliando o debate cultural e social presente na literatura contemporânea.
Logo nas primeiras horas do dia, um painel sobre colecionismo e o valor cultural dos livros reuniu os imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), Antonio Carlos Secchin e João Almino. Eles discutiram a motivação por trás do colecionismo, a importância da conservação de obras raras e como os livros refletem as expressões de uma sociedade.
Maria Flor e Emanuel Aragão, autores de “O amor ainda é possível?”, também participaram da programação, ampliando a diversidade de vozes presentes no evento.
Um ambiente intimista que conecta autores e público
A visitante Amanda Marinho, funcionária da Petrobras de 28 anos, compartilhou sua experiência: “A FLIN lembra a FLIP, mas é mais aconchegante. As mesas não são tão cheias, o que cria um diálogo mais próximo com a cidade”. Ela destacou a curadoria do evento como um dos pontos altos, elogiando a variedade de temas e estilos dos autores.
Em uma das mesas, discutiu-se o hábito do casal de trocar cartas ao longo do relacionamento, um diálogo íntimo inserido na programação literária que reflete as nuances da vida cotidiana.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Espaço para reflexões sobre infância e sociedade
À tarde, a Sala Nelson Pereira dos Santos acolheu debates sobre a infância e sua influência na vida adulta. Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz destacaram o poder das oralidades e a valorização das histórias pessoais na literatura brasileira, introduzindo o conceito de “escrevivências” criado por Conceição.
Movimento nos estandes e distribuição gratuita de livros
Os estandes da Academia Brasileira de Letras e da Biblioteca Nacional receberam grande circulação, principalmente por conta da doação de livros variados. Na ABL, além dos títulos, foram distribuídos dicionários da língua portuguesa e edições da Revista Brasileira, todos sem custo para os visitantes.
O diretor da FLIN, Pablo Jordão do Pão, ressaltou a diversidade do evento: “As crianças com seus livros, os acadêmicos da cidade com seus espaços próprios, mostram a pluralidade que tem sido a marca desta edição”.
Presença de autores nacionais e internacionais
A programação contou com nomes como o escritor português Valter Hugo Mãe, Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório e o angolano Ondjaki. A youtuber e jornalista Jout Jout retornou à cena e à sua cidade natal após seis anos afastada. Outros destaques foram Míriam Leitão, Ruy Castro e Lilia Schwarcz, ampliando o alcance cultural da festa.
Participação expressiva de editoras e autores independentes
Além das editoras locais e livrarias, a FLIN reuniu treze editoras, a Universidade Federal Fluminense (UFF) e mais de 250 autores independentes expositores, fortalecendo a circulação da literatura e a diversidade editorial na região.
Visão do público sobre a FLIN
Francisca Pereira, repórter aposentada e assessora de imprensa, acompanhou todas as edições da FLIN. Ela destacou a relevância do evento por reunir escritores e temas atuais, como inteligência artificial e inovação, com nomes consagrados como Míriam Leitão e Conceição Evaristo.
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Francisca valoriza a facilidade de acesso e a diversidade de temas: “A FLIN é um espaço que democratiza o conhecimento e aproxima a literatura do público”.
O casal de médicos Guilherme Rodrigues e Juliana Linhares trouxe a filha de oito meses para aproveitar as atividades infantis, ressaltando a importância de eventos culturais gratuitos e próximos de casa. Guilherme, nascido e criado em Niterói, reforçou o papel da FLIN para a cidade: “Mostra que Niterói é capaz de sediar grandes eventos culturais, acessíveis a todos”.
Ele sugeriu uma reorganização da programação para distribuir melhor os autores de maior destaque ao longo dos dias, evitando frustrações do público que não conseguiu assistir a seus painéis preferidos.
Literatura infantil como resgate e conexão
Mônica Martins, jornalista e fundadora da editora MoMa, especializada em literatura infantil, compartilhou sua trajetória e a importância da FLIN para o segmento. Moradora de Niterói e atuante desde 1999, ela destacou o resgate da criança interior por meio da literatura e o valor do contato físico com os livros.
Ela observou a presença de adultos que compram livros para si mesmos, buscando uma pausa no excesso de informação digital. Para Mônica, a literatura infantil promove um espaço de silêncio e reflexão, fundamental para o equilíbrio emocional.

