Cenário Desfavorável para Lula no Nordeste
A grande questão que paira sobre o Partido dos Trabalhadores (PT) é se o histórico de forte apoio de Lula no Nordeste se repetirá nas próximas eleições, especialmente em um contexto de crescentes desafios em outras partes do Brasil. Pesquisas do Datafolha revelam que o ex-presidente viu suas intenções de voto cair de 63% em dezembro para 60% na mais recente medição, divulgada em 11 de outubro. Em contraponto, Flávio, seu principal adversário, subiu de 24% para 32% no mesmo período. É importante notar que a margem de erro para essa pesquisa é de quatro pontos percentuais, o que torna o cenário ainda mais volátil.
O quadro atual representa uma realidade bem diferente daquela enfrentada por Lula em 2022, quando Jair Bolsonaro era o seu oponente. Em agosto daquele ano, o Datafolha indicava que Lula contava com 65% das intenções de voto entre os nordestinos, enquanto Bolsonaro obtinha apenas 25%.
Crescimento da Rejeição e Esforços para Recuperação
Com o passar do tempo, a rejeição ao petista na região também apresentou um aumento considerável. Hoje, 32% dos nordestinos afirmam que não votariam em Lula de forma alguma, um índice inferior à média nacional de 48%, mas que subiu em comparação a agosto de 2022, quando esse número era de 27%.
Buscando resgatar sua popularidade, Lula intensificou sua presença no Nordeste, realizando oito visitas à região neste ano. Em uma dessas ocasiões, inaugurou um trecho de metrô em Salvador. Contudo, mesmo com tais esforços, sua avaliação na região mostra sinais de deterioração. De acordo com dados do Datafolha, a aprovação de Lula, que alcançou 53% de ótimo e bom em março de 2023, caiu para 41% atualmente.
Preocupações em Tempos de Eleição
Embora algumas lideranças do PT mantenham um otimismo cauteloso quanto à recuperação de Lula no Nordeste até outubro, há um reconhecimento silencioso de que o desempenho em capitais e cidades grandes, com mais de 150 mil habitantes, é motivo de apreensão. Nas eleições de 2022, apesar do apoio maciço entre os nordestinos, Lula perdeu em Maceió (AL) para Bolsonaro, que obteve 57,18% dos votos, comparados a 42,82% do petista.
Éden Valadares, secretário de comunicação do PT nacional e ex-presidente do partido na Bahia, menciona a forte identificação do povo nordestino com Lula, ressaltando que ele foi o presidente que mais investiu e trabalhou pela região. “Portanto, não há motivos para se falar em recuperação, vamos focar em ampliar a votação do presidente no Nordeste”, afirma Valadares.
No entanto, nem todos compartilham da mesma confiança. Petistas próximos à pré-campanha de Fernando Haddad para governador de São Paulo observam que a expectativa é de uma perda de apoio para Lula no Nordeste. Eles estão planejando uma margem de 2 milhões de votos a mais no estado, em comparação a 2022, como estratégia para evitar a derrota do presidente. Em 2022, a diferença de votos entre Lula e Bolsonaro em São Paulo foi de 2,7 milhões.
Desafios com Alianças e Palanques
Aos desafios representados pelos números das pesquisas, somam-se os problemas em estabelecer alianças. Nos dois maiores estados governados pelo PT, Bahia e Ceará, os levantamentos de intenção de voto indicam um cenário incerto para os atuais governadores que se preparam para a reeleição.
No Ceará, o senador Camilo Santana (PT) deixou o Ministério da Educação para potencialmente liderar a chapa do governo estadual. Embora negue essa intenção, ele expressa otimismo em relação ao apoio que Lula poderá conquistar na região nas próximas eleições.
A tentativa de ampliar alianças para reforçar o palanque de Lula no Ceará foi um dos motivos que levaram à escolha de José Guimarães como novo ministro das Relações Institucionais. Guimarães, que tinha planos de disputar o Senado, optou por abrir mão de sua candidatura para facilitar negociações de apoio ao PT.
A primeira vaga ao Senado deve ser ocupada pelo PSB, mas ainda não há consenso sobre o candidato. Camilo espera que Cid Gomes busque a reeleição, enquanto há rumores de que o deputado Júnior Mano também seja cogitado. O MDB, parte da base governista, possui Eunício Oliveira como um possível candidato ao Senado.
Desafios semelhantes também se manifestam em outros estados. No Maranhão, a base de apoio de Lula se fragmentou com o lançamento da candidatura do sobrinho do atual governador, Carlos Brandão, pelo MDB. Há discussões sobre se os petistas devem apoiar o vice-governador Felipe Camarão ou o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD).

