Desafios e propostas para o futuro do Rio de Janeiro
Os habitantes do Rio de Janeiro estão cientes de que é necessário uma mudança drástica no estado para que se possa retomar o tão almejado desenvolvimento e a qualidade de vida para todos. O livro “Um renascer para o Rio – Propostas para um Estado próspero e sustentável”, publicado pela Editora Lux, reúne ideias de 27 especialistas de diferentes áreas, que se uniram para apresentar diagnósticos e soluções em temas essenciais. Entre os pilares abordados estão: segurança pública, combate à corrupção e equilíbrio das contas públicas.
A obra é uma resposta a uma carência de reflexões profundas sobre a situação do Rio de Janeiro, que, segundo o economista Fabio Giambiagi, um dos organizadores e pesquisador da FGV, por muito tempo foi visto como um assunto menor em comparação a outras preocupações nacionais. “Nos últimos 15 anos, no entanto, passou-se a dar mais atenção ao nosso contexto local”, pontua Giambiagi, também colunista do GLOBO, em parceria com os economistas Marco Aurelio Cardoso e Guilherme Tinoco.
A corrupção policial como inimiga interna
No primeiro capítulo do livro, os autores trazem à tona o que chamam de “inimigo interno”, focando na corrupção policial e na crise da segurança pública. Conforme exposto pelos autores Leandro Piquet Carneiro, Fabio R. Bechara e Maurício Alves Barbosa, existe uma “simbiose” entre certos setores da polícia e o crime organizado, resultando em um “ecossistema criminoso” que prejudica as tentativas do Estado em implementar políticas públicas eficazes.
Leandro Piquet, professor e coordenador da Escola de Segurança Multidimensional (Esem) da USP, enfatiza a urgência de uma reestruturação nas polícias do Rio, sublinhando que esse é um precursor essencial para debater a capacidade institucional e a mobilização da sociedade em relação ao crime. “É fundamental aprender com experiências de países que passaram por situações similares”, sugere.
Ele menciona exemplos como Honduras e as repúblicas pós-colapso da Iugoslávia, onde reformas significativas, embora difíceis, foram necessárias. Piquet detalha seis eixos cruciais para a reformulação das polícias, que incluem desde a criação de uma base legal sólida até o desenvolvimento de lideranças capazes de gerir as mudanças.
Propostas para reduzir a criminalidade
No capítulo seguinte, o foco se direciona para diagnósticos e propostas voltadas à redução da criminalidade violenta. Joana Monteiro e Ramón Chaves discutem o controle territorial que grupos armados exercem, além do elevado número de letalidade em operações policiais e a frequência alarmante de roubos e furtos.
Joana, professora da FGV e cofundadora da organização Leme, destaca que o Rio enfrenta uma série de problemas crônicos que demandam uma resposta eficaz da gestão pública. “É vital estabelecer prioridades e identificar o que é intolerável na cidade”, afirma, ressaltando que o controle territorial deve ser prioridade.
Ela acrescenta que a politização das forças policiais exacerba os desafios enfrentados, lembrando que a polícia deve ser uma instituição de Estado, independente de interesses governamentais.
A segurança como base do desenvolvimento econômico
Para Fabio Giambiagi, a questão da segurança é fundamental para o desenvolvimento econômico do Rio. “A situação de risco que empreendedores enfrentam, seja grande ou pequeno, em função do crime organizado, afeta diretamente o ambiente de negócios”, afirma.
Além das questões de segurança, o livro aborda a mobilidade urbana na Região Metropolitana e investiga como as mudanças climáticas impactam o estado, além dos desafios que a saúde pública enfrenta em decorrência da tecnologia e gestão. O texto também discute a experiência do Rio com programas de desestatização e propõe uma “estratégia refundacional” para a indústria do petróleo.
O lançamento do livro ocorrerá no dia 26 de outubro, às 18h30, na Livraria da Travessa, no Leblon, tendo como orelhista Hélio Gurovitz, editor de Opinião do GLOBO. Gurovitz sintetiza o espírito da obra ao afirmar que o livro apresenta um plano detalhado sobre como recuperar o Estado, não buscando resgatar um futuro idealizado do passado, mas construindo um futuro viável e realista.

