Impacto da Falta de Diesel nos Serviços Públicos
No Rio Grande do Sul, 142 prefeituras enfrentam a escassez de óleo diesel, representando 29% do total de municípios do estado. Essa informação foi revelada por um levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). A falta do combustível se torna mais alarmante no contexto da escalada global de preços, em meio ao conflito entre os EUA e Israel contra o Irã, que já se estende por quatro semanas.
Além disso, a alta nos preços é evidente: em apenas um mês, o valor do diesel nas bombas aumentou em torno de 20%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A situação se agrava devido à diminuição de 60% nas importações de diesel, conforme apontado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Especialistas do setor alertam para um possível desabastecimento.
Em nota da Famurs, o cenário se torna ainda mais preocupante. Com 315 prefeitos respondendo a um questionário sobre a situação, a falta de diesel afeta 45% dos municípios que participaram da pesquisa. “Os prefeitos precisam priorizar serviços essenciais, como transporte de pacientes na saúde, o que leva à suspensão de obras e atividades que dependem de máquinas”, destaca a nota. A continuidade desse cenário pode resultar em impactos em outras áreas críticas nos próximos dias.
Demandas e Desafios no Agronegócio
Eduardo Melo, sócio-diretor da consultoria Raion, especializada em combustíveis, observa que a demanda do interior gaúcho está em alta. Ele explica que a escassez de diesel está atrelada à dinâmica do agronegócio, que é fundamental na região. “O agronegócio exige maquinário agrícola eficiente, e as propriedades precisam de um fornecimento adequado para atender essa demanda”, afirma Melo.
Com a recente disparada dos preços do petróleo e, consequentemente, do diesel importado, as empresas que não têm contratos de fornecimento de longa duração são as mais impactadas. Essas são, em sua maioria, os pequenos e médios produtores rurais que adquirem diesel no mercado à vista, sem garantias de entrega.
Esses produtores costumam abastecer em postos de combustíveis sem bandeira ou por meio de transportadoras revendedoras (TRRs) que operam no atacado. Melo salienta que a Região Sul se destaca por possuir tanto grandes distribuidoras quanto empresas regionais de médio porte, permitindo uma capilaridade que atende melhor os pequenos produtores.
Embora o quadro de restrição de oferta de combustível e a alta dos preços sejam preocupantes, Melo acredita que extrapolar a análise para a demanda das prefeituras pode ser precipitado. Isso porque cada município possui particularidades em relação a seus fornecedores, que podem variar entre distribuidoras regionais, TRRs ou postos de combustíveis.
“Algumas prefeituras podem não ter volume suficiente para realizar compras diretamente com distribuidoras e, portanto, precisam abastecer em postos de revenda. Esse é um cenário que pode levar à falta de produto, especialmente em postos de bandeira branca”, conclui Melo.

