O Impacto da Valorização do Real no Turismo Argentino em Santa Catarina
O início de 2026 trouxe desafios para o turismo no litoral de Santa Catarina, especialmente na atração de visitantes argentinos, tradicionalmente uma parte significativa do fluxo turístico na região. Dados recentes indicam que, no primeiro mês do ano, os turistas da Argentina representaram apenas 19% do total de visitantes em Santa Catarina, uma queda em relação aos 22% registrados no mesmo período do ano passado. Especialistas da Fecomércio apontam que essa redução pode ser atribuída a fatores econômicos, incluindo a valorização do real frente ao peso argentino.
Florianópolis, a capital do estado e um dos destinos preferidos dos argentinos, foi a mais afetada, com a participação dos visitantes do país vizinho caindo de 39% para 24%. Essa diminuição se alinha com uma retração de 1,04% no Índice de Confiança do Consumidor Argentino, que mostra um cenário preocupante a respeito do endividamento da população, que agora corresponde a 5,4% do PIB do país.
Repercussões Econômicas da Valorização da Moeda Brasileira
O presidente da Fecomércio de Santa Catarina, Hélio Dagnoni, destaca a valorização de 11% do real em relação ao dólar no último ano, tornando o Brasil um destino mais caro para os argentinos. “No ano passado, a diferença de preços entre os dois países era enorme. Agora, essa diferença diminuiu, o que explica a redução na presença de turistas argentinos em nossas praias”, comentou Dagnoni.
Por mais que a presença dos argentinos tenha diminuído em 2026, seu percentual ainda é bem superior ao observado em 2024, quando representavam apenas 10% do total de visitantes nas duas primeiras semanas do ano. Essa mudança é um fator relevante a ser considerado no planejamento estratégico do setor turístico.
Perspectiva do Setor Hoteleiro em Florianópolis
Rogerio Bachi, empresário do setor hoteleiro em Florianópolis, menciona que a percepção entre os profissionais da área é de uma queda ainda mais drástica na afluência de turistas argentinos. “Comparado ao ano passado, mal se vê carros argentinos nas ruas. A diminuição foi significativa, e não acredito que isso se limite apenas aos argentinos, mas que também inclui uma queda geral no número de turistas”, afirmou. Mesmo assim, sua rede de hotéis apresenta taxa de ocupação ligeiramente abaixo da temporada passada, mas uma redução de 30% nas tarifas das diárias tem sido notada.
Alterações nos Gastos Médios dos Turistas
A queda no número de turistas se reflete também nos gastos médios durante a estadia. O gasto por grupo de turistas apresentou uma leve retração de 2%, passando de R$ 8.358 em 2025 para R$ 8.179 em 2026, com a redução sendo predominante entre os turistas brasileiros. Por outro lado, o gasto médio dos turistas estrangeiros cresceu 4,6%, saltando de R$ 11.532 para R$ 12.063, mostrando que, apesar da queda na quantidade, aqueles que ainda visitam estão gastando mais.
Uma Nova Dinâmica de Destinos em Santa Catarina
Entre os turistas estrangeiros, os argentinos continuam a ser a maioria, representando 81% do total. Os 19% restantes são compostos por uruguaios, paraguaios, chilenos e europeus. Florianópolis, no entanto, enfrentou a maior redução na presença argentina. Em contraste, outras cidades catarinenses, como Laguna e Imbituba, tiveram um aumento proporcional de visitantes argentinos, passando de 7% para 20% e de 9% para 19%, respectivamente.
Outro ponto a se notar é o crescimento da concorrência no setor de turismo. Dados da Receita Federal mostram que o número de empresas atuando no setor cresceu 23% entre 2024 e 2025. Ao final de 2025, Santa Catarina registrou 38.545 empresas ativas no turismo, sendo que 7.150 delas foram abertas no período, com 665 apenas no segmento de alojamento. Municípios menores, como Jaguaruna e Palhoça, também impressionaram com crescimentos acima da média.

