Um Atendimento que Virou Trauma
O que deveria ser uma simples consulta médica se transformou em um episódio traumático para uma paciente de 57 anos, na Unidade de Saúde da Família Jardim Catarina, localizada em São Gonçalo, Rio de Janeiro. Symone Cordeiro, auxiliar de creche, registrou uma denúncia contra um médico que a atendeu de forma racista e desrespeitosa, levando à sua demissão após a repercussão do caso.
No último dia 8 de janeiro, Symone compareceu à unidade para realizar exames de rotina relacionados ao seu acompanhamento pós-cirurgia bariátrica. O que aconteceu durante sua consulta, no entanto, foi muito mais do que um simples atendimento médico. Segundo seu relato ao portal G1, o médico não apenas se recusou a fechar a porta da sala durante o atendimento — prática que, segundo relatos, era comum para outros pacientes — mas também expôs sua situação a todos os presentes com comentários depreciativos.
O profissional fez perguntas que invadiam a privacidade da paciente, questionando de forma sarcástica por que ela não havia penteado o cabelo. Ele ainda comparou sua aparência com a de uma funcionária da clínica que entrou na sala para tentar corrigir a situação, sugerindo que o atendimento deveria ser feito com a porta fechada.
O Efeito da Humilhação
“Tudo o que eu perguntava, ele respondia alto, para todo mundo do lado de fora ouvir. Eu me senti humilhada. Saí de lá de cabeça baixa. Cheguei em casa com a pressão alta, o coração disparado e crise de ansiedade. Passei duas noites sem dormir, chorando. Até agora estou muito abalada. Senti minha privacidade sendo invadida”, desabafou Symone.
A experiência de Symone Cordeiro levanta questões sérias sobre comportamentos discriminatórios dentro do sistema de saúde e a necessidade urgente de um ambiente respeitoso e seguro para todos os pacientes. O médico, após o episódio, teria pedido desculpas, alegando que suas palavras eram apenas “brincadeiras”, mas isso não diminui a gravidade das suas ações. O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), o que demonstra a seriedade da situação.
Reflexões sobre Racismo e Gordofobia no Sistema de Saúde
Este incidente não é um caso isolado. Assim como a história de Vitor Augusto, que também enfrentou discriminação em um atendimento médico, a experiência de Symone evidencia a interseção de gordofobia e racismo que muitos pacientes enfrentam diariamente. O episódio ressalta a importância de se discutir a qualidade do atendimento na saúde pública e a necessidade de treinamentos para os profissionais de saúde, que deveriam ser preparados para lidar com a diversidade de forma respeitosa e empática.
Num momento em que a saúde mental e o bem-estar emocional estão em pauta, é crucial que as instituições de saúde adotem medidas para garantir que todos os pacientes se sintam seguros e valorizados. A luta contra o racismo e a gordofobia deve ser uma prioridade, especialmente em ambientes que têm a responsabilidade de cuidar da saúde e do bem-estar da população.

