Gilson Machado se desfilia do PL e anuncia candidatura ao Senado
O ex-ministro do Turismo no governo Bolsonaro, Gilson Machado, divulgou nesta quarta-feira sua saída do Partido Liberal (PL), onde permaneceu como membro até então. O anúncio de sua desfiliação se dá em um momento delicado, já que a sigla não mostrou apoio à sua intenção de concorrer ao Senado, além de deixá-lo isolado dentro do diretório em Pernambuco. Este diretório, por sua vez, parece estar se voltando para apoiar a candidatura de Anderson Ferreira, atual presidente do PL no estado.
Em um comunicado, Machado expressou sua decisão com um tom de reflexão: “Comunico meu desligamento do Partido Liberal (PL) com a consciência tranquila de quem cumpriu o dever como cidadão e gestor de políticas públicas, com lealdade, coragem e trabalho”. O ex-ministro ressaltou ainda que, embora mude de partido, não abandonará suas convicções, afirmando continuar como “bolsonarista”. Ele destacou que “é reconhecido como o nome defendido por Bolsonaro, mas não foi o escolhido pela direção estadual para essa missão”.
Um detalhe curioso é que o ex-ministro não conseguiu informar o ex-presidente sobre sua decisão devido a restrições que o mantêm em Recife, impostas após sua prisão no ano passado. Contudo, ele afirmou ter comunicado a sua decisão ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à presidência, e ao irmão do presidente, Renato Bolsonaro. Em entrevista ao jornal O GLOBO, Machado declarou que, por enquanto, não confirmou sua filiação a nenhum outro partido, mas deixou claro que suas convicções permanecem intactas. “A camisa continua a mesma”, afirmou.
Conjuntura política em Pernambuco
A decisão de Machado reflete um cenário político em Pernambuco onde o PL parece priorizar a candidatura de Anderson Ferreira. O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes é visto como uma aposta para garantir os votos conservadores no estado, especialmente em um ambiente eleitoral que promete ser acirrado, com a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), também na disputa.
Anderson Ferreira está à frente do diretório estadual do PL e conta com o respaldo de figuras influentes, como seu irmão André Ferreira (PL) e Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido. Essa configuração política se fortaleceu após a prisão de Gilson Machado, ocorrida em julho do ano passado. Ele foi detido por suspeita de ter planejado uma fuga para o tenente-coronel Mauro Cid, a partir de tentativas de emissão de um passaporte português para o militar.
Trajetória política de Gilson Machado
Além de ser conhecido como sanfoneiro e empresário, Gilson Machado ocupou o cargo de ministro do Turismo durante os últimos dois anos do governo Bolsonaro. Ao fim de seu mandato, ele buscou uma candidatura ao Senado, mas não obteve sucesso. Após essa tentativa frustrada, foi indicado para a presidência da Embratur, onde permaneceu até os últimos dias da gestão. Em 2024, participou da corrida pela prefeitura do Recife com o suporte de Bolsonaro, mas novamente saiu derrotado, desta vez superado por João Campos, que foi reeleito no primeiro turno com expressivos 78,1% dos votos.

