A corrida pela sucessão estadual está em jogo
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência tem gerado movimentações significativas na política fluminense, especialmente entre figuras da direita. Nesse cenário, o nome que tem ganhado força é o de Douglas Ruas (PL), secretário estadual de Cidades e deputado estadual licenciado. Ele é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e com apenas 36 anos, possui uma pasta que abrange demandas essenciais em todo o estado.
Entretanto, fontes próximas a Ruas levantam preocupações sobre os riscos de sua candidatura, principalmente por conta da disputa acirrada contra o atual prefeito, Eduardo Paes (PSD). A ambição de Ruas é, na verdade, presidir a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no biênio seguinte, o que poderia ser comprometido por um eventual fracasso na eleição para o governo.
Outras possibilidades, como a do chefe da Polícia Civil, Felipe Curi, ou de um candidato fora do círculo tradicional, poderiam ser viáveis. No entanto, esses nomes ainda não conseguiram atrair o apoio necessário do Centrão, fundamental para a construção de uma candidatura forte e coesa no estado.
Desafios e estratégias para o governo do Rio
A situação política se complica ainda mais com os planos do governador Castro de disputar uma vaga no Senado, o que o leva a se desincompatibilizar do cargo até o início de abril. Isso gera um novo cenário, pois será necessária a escolha indireta de um novo governador para preencher uma vaga temporária até o final do ano. O vice-governador eleito em 2022, Thiago Pampolha, foi empossado no Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que abre uma lacuna a ser preenchida.
O nome em destaque para essa função de transição é Nicola Miccione, secretário da Casa Civil, que possui um histórico técnico e nunca participou de uma eleição anteriormente. Para alguns analistas, sua escolha se mostra lógica, dado o déficit orçamentário previsto de R$ 19 bilhões para 2026. A gestão atual requer cortes de gastos e a implementação de medidas que podem ser impopulares, o que indicaria que um candidato que busque a reeleição em outubro não seria a melhor opção para um mandato-tampão.
Contudo, há uma corrente de pensamento que sugere que o escolhido para o cargo temporário deve ser um potencial candidato para as eleições diretas. Essa estratégia poderia alavancar o uso da máquina pública em benefício próprio nas eleições, ao mesmo tempo que representaria um acordo de “ganha-ganha” entre Castro e Paes. Além de ser um nome de confiança do governador, a candidatura de Miccione poderia evitar a ascensão de um adversário forte para outubro.
Rearranjos e pressões na política fluminense
Após uma onda de insatisfação entre alguns líderes políticos em relação à administração de Paes, um rearranjo significativo entre a direita e o Centrão tem tomado forma. A crítica gira em torno da falta de espaço oferecido pelo prefeito a outros grupos políticos. Por outro lado, há quem considere que as exigências feitas pelas siglas estão sendo exageradas, sugerindo que essas novas articulações são uma forma de pressionar Paes por mais representatividade na administração.
A Saúde, tradicionalmente controlada pelo PP, é uma das áreas mais críticas, e Paes tem mostrado resistência em abrir mão de seu controle em favor de aliados. A situação se repete nas áreas da Educação, Segurança Pública e Fazenda, que enfrentam desafios significativos. Aliados afirmam que manter uma estrutura governamental semelhante à atual ao ganhar as eleições não seria estratégico.
Entre os nomes cogitados para a chapa, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, do PP, tem sido considerado como o vice ideal tanto por Paes quanto pela ala direita que busca alternativas. Recentemente, Lisboa foi mencionado como um potencial parceiro da candidatura de Ruas, embora o entorno de Paes continue otimista em relação a outras coligações.
Além disso, Wladimir Garotinho, prefeito de Campos dos Goytacazes e também do PP, expressou interesse em integrar a chapa. Essa possibilidade foi aventada por Paes, apesar de uma recente discussão acalorada nas redes sociais com Anthony Garotinho, seu pai.

