A Marca das Helenas nas Novelas de Manoel Carlos
Quando se menciona o renomado autor Manoel Carlos, é impossível não lembrar do icônico nome Helena, que se tornou uma constante em suas tramas. Desde Baila Comigo, o personagem Helena tem sido uma presença marcante em nove de suas novelas, e muitos se perguntam: de onde veio a inspiração para esse nome tão forte? Em uma entrevista ao Memória Globo, Manoel Carlos compartilhou sua visão sobre a escolha. “Helena é um nome que sempre me soou como nome de personagem. Sempre gostei muito”, afirmou, revelando sua conexão pessoal com o nome.
O nome Helena, segundo o autor, foi escolhido como uma homenagem à famosa figura mitológica, Helena de Tróia, considerada a mulher mais bela do mundo e cuja história é repleta de drama e amor. “Gosto por ser um nome mitológico e porque a Helena representa aquela mulher que foi sequestrada, que se apaixonou pelo raptor, que enganou. Todas as minhas Helenas mentem”, explicou, fazendo uma ligação direta entre a personagem e suas complexidades emocionais.
Uma Tradição de Mentiras e Conflitos
Nas tramas ao longo dos anos, as Helenas de Manoel Carlos têm em comum a presença de segredos e mentiras. O próprio autor destacou algumas de suas criações, mencionando que cada uma trazia consigo uma narrativa intrigante. A Helena de Baila Comigo, por exemplo, escondia verdades de sua própria filha. Já a Helena de História de Amor e a de Por Amor eram mestres em enganar aqueles que lhes cercavam.
“Tem a Helena de Baila Comigo, a Helena de Felicidade, que também não contava para a menina quem era seu pai. A Helena de História de Amor enganou a todos…”, recordou Manoel Carlos, ressaltando a complexidade e a profundidade de suas personagens femininas.
O Legado de Uma Grife
Com o passar do tempo, Manoel Carlos transformou o nome Helena em uma verdadeira marca de seu trabalho. “Fui dando esse nome, achei que era bom e ficou. Virou uma grife”, declarou. Essa grife foi personificada por sete atrizes talentosas que deram vida a essas personagens, cada uma trazendo seu toque único ao papel. Lilian Lemmertz foi a primeira a interpretar Helena, seguida por Maitê Proença, Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Julia Lemmertz, a última a viver a personagem.
A Relação com o Rio de Janeiro
Além de suas célebres Helenas, Manoel Carlos também se destacou por sua habilidade em retratar as relações humanas e a dinâmica familiar, especialmente entre mães e filhas. Ele popularizou o Leblon como um cenário constante em suas novelas, colocando personagens em situações que refletiam emoções genuínas e experiências reais. “As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento”, explica, mostrando sua capacidade de equilibrar drama e beleza.
A Trajetória de Manoel Carlos
Nascido em 14 de março de 1933, Manoel Carlos Gonçalves de Almeida cresceu em São Paulo, mas sempre teve seu coração voltado para o Rio de Janeiro. Com um caminho repleto de desafios, começou sua carreira na televisão aos 14 anos e logo se destacou como ator, diretor, e, eventualmente, como um dos principais roteiristas da TV brasileira. Sua estreia na Globo foi em 1972, marcando o início de uma nova era na televisão com a adaptação de suas histórias para o formato de novela.
O legado de Manoel Carlos vai além das novelas. Ao longo de seus 60 anos de carreira, ele também produziu minisséries memoráveis, como Malu Mulher (1980) e Presença de Anita (2001). As histórias criadas por ele permanecem na memória coletiva, e as Helenas, com suas complexidades, continuam a ressoar no coração dos brasileiros.

