Vetos Importantes Sob Análise
O retorno do Congresso após o recesso promete ser agitado, com a análise de 70 vetos impostos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dentre eles, destaca-se o veto integral ao projeto de lei que buscava reduzir as penas para aqueles condenados pelos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro. Além desse veto, que gerou polêmica, outros 69, que vão desde vetos totais a parciais, aguardam o crivo dos parlamentares. Entre esses estão as objeções do presidente a um artigo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que propunha um aumento no fundo partidário. Lula também se manifestou contra o aumento do número de deputados federais e a unificação da idade para ingresso nas forças policiais em todo o território nacional. Com a volta do recesso em fevereiro, lideranças do Congresso já começam a se articular para tentar derrubar o veto relacionado ao PL da Dosimetria.
Até o fechamento do ano passado, Lula já havia enfrentado a derrubada parcial ou a rejeição de 51 vetos dos 106 que foram impostos desde o início de seu terceiro mandato. Isso demonstra uma crescente pressão do Congresso sobre suas decisões, principalmente em um cenário que se torna cada vez mais relevante com as eleições se aproximando.
Movimentações e Justificativas do Governo
Na semana anterior ao recesso, o presidente sancionou a LDO, mas com veto ao trecho que estabelecia um mecanismo permanente de atualização do fundo partidário. Essa atualização automática poderia, a depender da inflação e do espaço fiscal disponível, aumentar o valor do fundo em 2026. Ao justificar essa posição, Lula destacou que tal aumento contraria o interesse público, uma vez que diminui os recursos destinados a outras despesas relacionadas à Justiça Eleitoral.
Em relação ao veto que previa a ampliação das vagas na Câmara, de 513 para 531 deputados, o presidente argumentou que tal medida violaria a Constituição Federal, além de contrabalançar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a própria LDO de 2025. O Palácio do Planalto sustentou que o projeto, ao aumentar o número de representantes, acarretaria um aumento das despesas obrigatórias, mas sem uma estimativa adequada de impacto financeiro nem a definição de fontes de compensação.
Veto aos Projetos de Segurança Pública
Outro veto relevante diz respeito à proposta que regulamentava a idade para ingresso nas forças policiais e bombeiros militares. O projeto, de autoria do deputado bolsonarista Guilherme Derrite, estabelecia a idade máxima de 35 anos para oficiais e praças e 40 anos para oficiais com especializações. No entanto, a legislação vigente varia conforme cada estado e, geralmente, estabelece limites entre 25 e 35 anos. O governo considerou a proposta inconstitucional, fundamentando-se em recomendações do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União (AGU).
Além disso, o Congresso também precisa deliberar sobre o veto relacionado ao projeto que autorizava o porte de armas para policiais legislativos. Embora Lula tenha sancionado a proposta em dezembro, vetou o trecho que eliminava a exigência da comprovação de idoneidade e capacidade técnica para o manuseio das armas. Este veto ressalta a preocupação do governo com a segurança e a regulamentação do uso de armamentos.
Outro ponto que está em pauta é o veto imposto em outubro ao trecho de um projeto que visava incorporar áreas desmatadas ilegalmente no Pantanal ao processo produtivo, estabelecendo diretrizes para a conservação e proteção da vegetação nativa do bioma. Essa proposta ainda gera debates e poderá ser um ponto de tensão nas discussões futuras.

