Mudanças na Alerj e a crise política
Menos de um mês após ser demitido, um ex-assessor de André Bacellar, que presidiu a Alerj, foi nomeado para um novo cargo na casa legislativa. Essa movimentação se dá em um momento delicado, em que a Polícia Federal acionou a segunda fase da operação Unha e Carne. Há poucas horas, a operação resultou na prisão do desembargador federal Macário Júdice Neto, que é investigado por supostamente ter vazado informações sobre uma ação contra o deputado estadual TH Joias (MDB), ocorrida em setembro do ano passado.
André Bacellar, antes presidente da Alerj, foi detido em 3 de dezembro durante a primeira fase da operação. A Polícia Federal apurou que Bacellar teria avisado o deputado sobre a operação em curso, que visava a prisão de TH Joias. Embora Bacellar tenha sido liberado poucos dias depois, quando os deputados da Alerj revogaram sua prisão, ele não conseguiu reverter seu afastamento do cargo de presidente, uma decisão tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O retorno do ex-assessor Carvalho acontece em um contexto de demissões em massa na Alerj. O novo presidente da Casa, Delaroli, que assumiu após a saída de Bacellar, tomou medidas drásticas ao demitir 206 funcionários de uma só vez, utilizando dispensas e exonerações.
Demissões em massa na Alerj
As demissões realizadas por Delaroli foram formalizadas em uma edição extraordinária do Diário Oficial do estado, divulgada na terça-feira. Dentre as 206 exonerações, 186 foram de servidores efetivos e 20 de dispensas. Essas ações refletem uma mudança no cenário político da Alerj, que busca se reorganizar após as turbulências geradas pela operação da Polícia Federal.
Ao longo dos últimos dias, o clima na Alerj tem sido de incerteza, com muitos questionando a eficácia das novas diretrizes e a legitimidade das nomeações feitas durante esse período conturbado. Existe uma expectativa geral sobre como a nova administração de Delaroli lidará com a situação e como as mudanças impactarão as atividades legislativas.
A nomeação do ex-assessor Carvalho, portanto, gera diferentes reações entre os membros da Assembleia Legislativa, incluindo preocupações quanto à transparência e à continuidade das investigações em curso. O que se observa é uma necessidade de respostas claras e eficazes da liderança da Alerj para restaurar a confiança pública.
Conforme os desdobramentos da operação Unha e Carne continuam, muitos analistas políticos acreditam que a Alerj precisará enfrentar não apenas questões administrativas, mas também um verdadeiro desafio para reconquistar a credibilidade perante a população fluminense. As recentes demissões e a nomeação de Carvalho são apenas alguns dos episódios que ilustram a instabilidade atual no cenário político da Alerj.

