Julgamento em Suspenso e Perspectivas Futuras
Cláudio Castro (PL), prestes a encerrar seu mandato na governança do Rio de Janeiro, não enfrenta mais o risco imediato de cassação. Segundo informações obtidas pela VEJA, a ação eleitoral que poderia resultar na perda de seu mandato só deverá ser liberada para julgamento no final de janeiro. Esse cenário torna improvável que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) finalize a votação antes que o governador se desincompatibilize, o que poderia ocorrer após o Carnaval, em fevereiro.
Embora Castro esteja fora do Palácio Guanabara, o desfecho do julgamento no TSE ainda pode influenciar sua trajetória. Uma eventual condenação acarretaria a inelegibilidade, mas, conforme explicações de advogados especializados em Direito Eleitoral consultados pela reportagem, isso só o impediria de concorrer ao Senado caso a decisão ocorra antes das eleições.
Acusações e Defesas
O governador enfrenta um processo que investiga suspeitas de abuso de poder político e econômico. O Ministério Público Eleitoral alega que ele teria tido um papel na contratação irregular de servidores temporários pelo Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio (Ceperj). Esses servidores teriam atuado como cabos eleitorais nas eleições de 2022. Castro, por sua vez, nega categoricamente essas acusações e, em 2024, foi absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Além do governador, outras figuras políticas estão envolvidas no processo, incluindo Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio, e Thiago Pampolha, ex-vice-governador que assumiu uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
Andamento do Processo e Expectativas
O julgamento começou em novembro, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, que está elaborando seu voto, previsto para ser finalizado durante o recesso. A expectativa é que a ação seja incluída novamente na pauta do TSE no final deste mês, momento em que a ministra Cármen Lúcia, presidente do tribunal, definirá a data para o plenário retomar a votação.
Até o presente momento, apenas a ministra Isabel Gallotti emitiu seu voto, que foi a favor da condenação de Castro, seu vice e do deputado Bacellar. Uma fonte do TSE, que preferiu não ser identificada, mencionou que existe a possibilidade de um novo pedido de vista, o que estenderia ainda mais a solução do caso. Esse cenário, considerado o mais favorável para o governador, poderia postergar a votação para 2027, em virtude das eleições que devem ocupar a agenda do TSE neste ano.

