Iniciativa que Transforma o Turismo na Costa Verde
O turismo no litoral sul do Rio de Janeiro ganha um novo enfoque com o Projeto Roteiro Caiçara, que vem se dedicando a fortalecer o turismo de base comunitária (TBC). O TBC é caracterizado por ser organizado pelas próprias comunidades, que planejam visitas respeitando a cultura local, a natureza e as vivências dos moradores. Completando seis meses de atividades em dezembro de 2025, o projeto tem como objetivo promover uma experiência turística autêntica na Costa Verde, envolvendo a participação direta de 12 comunidades caiçaras e quilombolas.
As comunidades envolvidas incluem seis localizadas em Paraty — Saco do Mamanguá, Trindade, Parati Mirim, Praia do Sono, Ponta Negra e São Gonçalo — e outras seis na Ilha Grande, pertencente ao município de Angra dos Reis — Bananal, Matariz, Aventureiro, Enseada das Estrelas, Dois Rios e Praia Vermelha. Essas comunidades tradicionais são as principais gestoras de produtos e serviços turísticos, transformando suas histórias e saberes ancestrais em oportunidades de desenvolvimento econômico sustentável.
Desafios e Oportunidades para Comunidades Tradicionais
Desde a década de 1970, com a construção da BR-101, as comunidades da região enfrentam pressões decorrentes da especulação imobiliária e da grilagem de terras. Atualmente, o turismo de massa também traz desafios, concentrando renda em poucas mãos e aumentando os impactos ambientais e sociais locais. Em resposta a essas questões, o Projeto Roteiro Caiçara se propõe a reverter esse cenário, desenvolvendo ações que valorizam a cultura e as tradições locais.
Com uma duração total de três anos, o projeto se divide em cinco frentes de atuação: capacitação para o turismo, obras de infraestrutura, manejo de trilhas, definição de roteiros turísticos e conservação da natureza. Bete Canela, coordenadora do projeto, afirma que a iniciativa visa fortalecer as comunidades que sempre habitaram essas terras, enfatizando que o TBC é distinto do turismo de massa, que frequentemente é imposto por agentes externos.
Cultura Local em Foco
“O nosso projeto objetiva fortalecer quem está no território, as comunidades caiçaras e quilombolas, que há muito tempo oferecem serviços turísticos”, explica Canela. Além de gerar economia, o TBC busca promover o respeito e a valorização dos saberes locais. “O turismo de base comunitária não é apenas sobre passeios e experiências, mas sobre contar a história do lugar, suas tradições, culinária e artesanato”, complementa.
O planejamento do Projeto Roteiro Caiçara abrange um total de seis períodos de atividade, focando na preservação ambiental e na valorização cultural das comunidades de Paraty e Ilha Grande. Realizado pelo Instituto Caminho da Mata Atlântica (ICMA), o projeto busca não apenas engajar a sociedade na conservação da Mata Atlântica, mas também promover um desenvolvimento socioeconômico que beneficie as comunidades locais.
Legado e Futuro
De acordo com Bete Canela, o projeto também se preocupa em deixar um legado físico para as comunidades. “Estamos prevendo obras que ficarão para as comunidades, como reformas de piers e centros de atendimento ao turista, que são essenciais para a organização e recepção dos visitantes”, afirma. Cada comunidade está identificando suas necessidades, acercando-se do projeto para levantar possibilidades que possam ser financiadas e construídas.
No primeiro semestre de 2025, o projeto já realizou ações significativas, como cursos de formação para guias turísticos, que totalizaram 42 participantes em Paraty e 38 na Ilha Grande. Ao longo do primeiro semestre, foram realizadas dezenas de reuniões com as comunidades para apresentar o projeto e planejar as obras de infraestrutura e monitoramento da fauna e flora que beneficiam o turismo.
Patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto se prepara para dar início ao seu segundo período de atividades em 2026, com novos cursos e capacitações para os moradores locais.
Conceito de Turismo de Base Comunitária
O Turismo de Base Comunitária se define pela realização de atividades turísticas onde as decisões e os benefícios são geridos pelos próprios habitantes do território. Bete Canela afirma que o objetivo é garantir que a visitação respeite a cultura local e a natureza, criando uma rede de benefícios que perpassa a comunidade como um todo.
Na prática, o TBC promove a distribuição justa dos benefícios do turismo, valoriza a cultura e as tradições locais, e busca reduzir os impactos ambientais. É um modelo que visa assegurar que todos os envolvidos na atividade turística, desde aqueles que vivem nas comunidades até os visitantes, encontram um ambiente que respeita e conserva a diversidade cultural e natural da região.
Através do TBC, a riqueza da tradição caiçara e quilombola se torna acessível a todos, oferecendo uma forma de turismo que não apenas promove a economia local, mas também fortalece a identidade cultural e ambiental das comunidades.

