Um Novo Capítulo no Futebol Sul-Africano
Em 1995, a África do Sul conquistou sua primeira Copa do Mundo de rúgbi em casa, um marco que simbolizou a era de integração esportiva do país sob a liderança de Nelson Mandela. A imagem do primeiro presidente negro da nação entregando o troféu ao jogador branco François Pienaar é um forte símbolo, embora os desafios da desigualdade social e do racismo ainda permeiem a sociedade sul-africana.
Desde então, o futebol, apesar de não ter o mesmo histórico vitorioso do rúgbi, conquistou o coração do povo. Uma pesquisa da Statista revela que aproximadamente 80% da população adora futebol, superando até mesmo o rúgbi e o críquete. A Copa do Mundo de 2010 foi um divisor de águas, gerando grande expectativa e transformações no cenário futebolístico do país.
Após 16 anos, os sons das vuvuzelas, que marcaram a Copa de 2010, estarão de volta, pois a África do Sul se classificou para o torneio de 2022, enfrentando o México na partida de abertura em 11 de junho. Este evento é parte da quarta edição da série do GLOBO, que narra as histórias de seleções menos expressivas que marcarão presença na competição.
A Evolução Tática da Seleção
As comemorações vibrantes e as danças típicas dos Bafana Bafana prometem mais uma edição emocionante do Mundial. Mesmo não avançando além da fase de grupos em 2010, a seleção sul-africana demonstrou uma evolução técnica significativa, refletida na ascensão do país no ranking da FIFA, que saltou da 90ª para a 38ª posição. No entanto, não conseguir se classificar para os mundiais subsequentes (2014, 2018 e 2022) teve seu lado positivo, permitindo à equipe encontrar uma nova identidade.
Segundo Luis Fernando Filho, comentarista da CazéTV e da Band, a melhoria da seleção deve-se ao desenvolvimento do futebol africano em aspectos técnicos e táticos. Ele destaca que a África do Sul possui uma das ligas mais competitivas do continente, com clubes como Orlando Pirates e Kaizer Chiefs, mas o Mamelodi Sundowns se destaca como modelo de sucesso ao estabelecer um projeto sólido e uma identidade de jogo que reflete a cultura local. “A equipe adota um estilo de ataque fluido e com liberdade”, comenta Filho.
A chegada do treinador belga Hugo Broos, ex-jogador da Copa de 1986 e ex-comandante da seleção camaronesa, foi outro fator crucial para a evolução da equipe. Broos trouxe um equilíbrio entre a criatividade no ataque e a solidez defensiva, algo que a seleção historicamente necessitava.
Desafios e Perspectivas Futuras
Apesar da eliminação na Copa Africana de Nações, onde perdeu para Camarões por 2 a 1, o time sul-africano demonstrou uma sólida estratégia e se classificou para a Copa do Mundo, mesmo enfrentando desafios, como a punição por escalar um jogador suspenso em um jogo contra Lesoto. A classificação se concretizou na última rodada, com uma vitória convincente sobre Ruanda por 3 a 0.
Assim, enquanto a África do Sul se prepara para mais uma aparição na Copa do Mundo, a expectativa é de que a seleção mostre sua nova identidade e estilo de jogo, que reflete a rica cultura e a paixão do povo sul-africano pelo futebol.

