O Papel do Turismo Pedagógico em Rio Grande
Um estudo recente realizado pelo Observatório de Turismo de Rio Grande aponta que o turismo pedagógico é o principal responsável pela atração de visitantes à cidade. De acordo com a pesquisa, cerca de 48% dos turistas que chegam ao município entre outubro e novembro são impulsionados por atividades educativas, consolidando este segmento como o maior atrativo turístico da região.
Entre as atividades que compõem o turismo pedagógico, destacam-se visitas a museus e apreciação de edificações históricas locais. Na sequência, aparecem motivos de férias e lazer, que somam 38% dos visitantes, enquanto negócios e trabalho correspondem a 12%, visitas a familiares a 7% e estudo a apenas 1%. Vale ressaltar que esses números podem mudar durante o verão, quando o Balneário Cassino se torna o principal ponto de atração na cidade.
O levantamento foi realizado em colaboração entre a Prefeitura de Rio Grande e a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), por meio de um projeto de extensão do curso de Turismo. O objetivo do Observatório é reunir, sistematizar e disponibilizar informações sobre a oferta e demanda turística, apoiando o planejamento tanto público quanto privado do setor. Esta primeira edição da pesquisa focou nos meses de outubro e novembro deste ano.
“Analisamos algumas métricas da oferta e da demanda turística para este primeiro diagnóstico nos meses de outubro e novembro. Naturalmente, a predominância deste segmento irá variar. Com a pesquisa de praia, é provável que férias e lazer se tornem mais frequentes”, explica Paula Cristiane Toller, turismóloga e especialista no tema.
Visitas Escolares e Contexto Turístico
A pesquisa revela que o segundo semestre do ano é tradicionalmente marcado por um aumento nas visitas escolares, o que justifica a liderança do turismo pedagógico no cenário local. Em outubro, foram registrados 1.090 turistas vindos em passeios escolares, enquanto em novembro esse número foi de 450.
O levantamento também aponta que 60% dos turistas são gaúchos, 21% provenientes de países vizinhos e 19% de outros estados brasileiros, como Bahia, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. “Sabíamos que o segundo semestre é fortemente influenciado pelo turismo pedagógico, e agora, com a pesquisa, conseguimos comprovar essa tendência”, complementa Paula Toller.
A oferta turística foi analisada por meio de bases oficiais, incluindo o Cadastur do Ministério do Turismo e registros do Ministério do Empreendedorismo, que envolvem empresas do setor. Para a coleta de dados sobre a demanda, foram utilizados questionários aplicados no Centro de Atendimento ao Turista (CATE).
Bruna Morante, coordenadora do projeto e professora de Turismo da Furg, ressalta que o projeto surgiu de discussões no Conselho Municipal de Turismo, destacando a necessidade de obter dados mais precisos sobre o turismo local, tanto da demanda quanto da oferta.
Pontos Turísticos em Alta
Conforme os dados do observatório, o tempo médio de permanência dos turistas em Rio Grande é de dois dias e quatro horas, com 61% optando por hotéis como meio de hospedagem. Os museus e o contexto histórico da cidade foram identificados como os locais mais procurados pelos visitantes.
Futuro do Observatório e Expansão do Projeto
Bruna Morante afirma que, embora Rio Grande seja a cidade piloto do Observatório de Turismo, o projeto faz parte de uma iniciativa mais abrangente, voltada ao desenvolvimento regional do Extremo Sul do Estado. “A ideia é trabalhar com cinco municípios do território da Costa Mar, que integram a Instância de Governança da Costa Doce, para monitorar esse corredor turístico e a movimentação econômica do setor”, explica.
Além de Rio Grande, o projeto também prevê a realização de estudos em Santa Vitória do Palmar, Chuí, Tavares e São José do Norte. Por enquanto, Rio Grande continuará como município monitorado de forma contínua. “O Observatório desempenha um papel importante ao fornecer dados para a comunidade, gestores públicos e o setor privado, permitindo análises que ajudem a orientar o desenvolvimento de produtos turísticos”, conclui Bruna.
A nova edição do boletim está prevista para ser divulgada no primeiro semestre de 2026.

