Estratégias Práticas para Organizar suas Finanças
O início do ano é um período crítico para muitas pessoas quando se trata de finanças pessoais. Após as festividades de fim de ano, como festas, 13º salário e compras de presentes, muitos se esquecem das contas que chegam logo em janeiro. Entre os tributos que surgem estão o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), além de gastos com matrícula escolar e seguros que podem elevar consideravelmente as despesas.
Esse momento é conhecido como “trimestre crítico” para as finanças pessoais, segundo especialistas. Para ajudar você a entrar em 2026 com as contas em dia, reunimos dicas práticas que podem fazer toda a diferença na sua organização financeira.
1. Use seu Dinheiro de Forma Inteligente
Para aqueles que ainda contam com parte do 13º salário ou aguardam recebimentos, como Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ou abono salarial, é fundamental aplicar esses recursos com sabedoria. O economista e doutor em direito Caio Bartine sugere dividir o montante em três partes: metade para quitar dívidas ou reservas para impostos, uma parte para consumo e o restante para lazer ou poupança.
Segundo o planejador financeiro Carlos Castro, CFP® pela Planejar, o primeiro passo para um uso eficaz do dinheiro é conhecer o custo do seu padrão de vida. “Muitas pessoas se perdem porque não sabem o quanto realmente gastam. Com a popularização de pagamentos via cartão, Pix e carteiras digitais, o consumo tornou-se quase automático. Se você não tem uma noção clara dos seus gastos, fica difícil planejar”, enfatiza.
2. Planejando o Pagamento do IPVA e IPTU
Com a chegada do novo ano, novos gastos emergem, como IPTU, IPVA e a fatura do cartão de crédito de janeiro. Para aqueles que possuem uma reserva financeira, aproveitar descontos para pagamentos à vista, que podem variar entre 3% a 10%, é uma boa estratégia. Contudo, caso o orçamento esteja apertado, parcelar pode ser uma alternativa viável, desde que os pagamentos sejam realizados em dia para evitar juros e multas.
Planejar esses pagamentos pode ajudar a reduzir o estresse financeiro e proporcionar um início de ano mais tranquilo. “Organizar as finanças é um ato de cidadania fiscal”, observa Bartine, destacando a importância de manter os tributos em dia e como isso pode beneficiar a sociedade.
3. Priorize suas Dívidas
Para os endividados, seguir uma ordem de prioridade é essencial. Bartine classifica as pendências financeiras em três categorias principais:
- Essenciais: aluguel, condomínio, financiamento imobiliário, contas de serviços públicos e impostos.
- Com Garantia Real: financiamento de veículos e empréstimos garantidos.
- Sem Garantia: dívidas com cartão de crédito e cheque especial.
Em relação às dívidas sem garantia, Bartine recomenda buscar renegociação em vez de quitá-las imediatamente, já que os juros costumam ser altos. O início do ano é também uma boa época para participar de feirões de negociação, onde é possível conseguir reduções significativas nos juros.
4. Cuidado com o Endividamento
Os especialistas alertam para a importância de controlar os gastos, que muitas vezes estão ligados a emoções e compras impulsivas. Castro sugere que o orçamento seja dividido em três categorias: 50% para despesas essenciais, 30% para lazer e presentes, e 20% para investimentos e reserva. Essa divisão clara permite saber se a pessoa está apenas sobrevivendo ou se está realmente construindo um patrimônio.
5. Controle Emocional e Metas Realistas
Mais do que usar planilhas, o desafio real está em lidar com o comportamento financeiro. Castro destaca que 90% das decisões financeiras são emocionais. Portanto, ao registrar os gastos, é importante anotar também os motivos por trás deles. Isso ajuda a identificar gatilhos emocionais e a desenvolver autocontrole.
Para definir as metas para 2026, é essencial quantificá-las. Por exemplo, se o desejo é viajar, é necessário saber o custo total da viagem e o período desejado. Transformar desejos em números e prazos é fundamental para não ficar apenas sonhando.
Além disso, é vital encerrar cartões desnecessários, reduzir limites e criar uma reserva de emergência que cubra de três a seis meses do custo de vida, além de investir em conhecimento financeiro. Essa abordagem holística sobre as finanças é a chave para um futuro financeiro mais saudável.

