Um Começo Difícil e a Busca pela Independência
Desde a infância, o sonho de Janderson sempre esteve ligado ao futebol. Ele lembra que seus dias eram preenchidos por jogadas no campo e dedicação aos estudos, com o apoio incondicional dos pais. Porém, ao alcançar a adolescência, tornou-se evidente que a carreira como jogador profissional seria um desafio considerável. Foi nesse período que Janderson decidiu contribuir financeiramente para a família. “Meus pais não tinham condições de me dar o que eu queria, então resolvi buscar meu próprio dinheiro para ajudar em casa e comprar minhas coisas”, compartilha.
Nesse contexto, ele começou a vender doces nas ruas, um trabalho que exigia muito deslocamento. “Eu ia ao Mercadão de Madureira, comprava os produtos e caminhava por vários bairros, sempre em busca de clientes”, relembra. Mesmo com a rotina intensa, o jovem não abandonou o futebol. Ele jogava pelo Ação, um clube da Série C do Rio de Janeiro, e se dividia entre os treinos e o comércio de doces.
A Dedicatória e o Esforço no Comércio
Com um dia a dia exigente, Janderson se dedicava a ambos os mundos. “Treinava pela manhã, vendia à tarde e, muitas vezes, o dia só terminava ao anoitecer”, conta. Ele pegava dinheiro emprestado para comprar mercadorias e se organizava com amigos para maximizar os lucros. “Tínhamos nossas estratégias, como vender chocolates em épocas frias e cookies nos dias ensolarados. Em média, conseguia fazer cinco mil reais por mês”, revela.
Apesar das dificuldades, ele sempre encontrou motivação. “Era um trabalho árduo, mas eu sabia que tudo aquilo era para ajudar minha família e meus irmãos. Por cerca de quatro anos, essa foi minha rotina até que surgisse uma nova oportunidade”, destaca.
A Última Chance e a Virada na Carreira
A mudança na vida de Janderson veio quando recebeu uma proposta do São José, no Maranhão, para jogar o Campeonato Maranhense. A ligação de seu empresário, que ele conheceu enquanto ainda vendia doces, acendeu uma nova esperança. “Era a minha última chance. Orei e pedi forças a Deus para que tudo desse certo”, lembra ele. A temporada foi promissora: Janderson se destacou como vice-artilheiro, marcando sete gols em 15 partidas, o que atraiu a atenção de clubes como Bahia de Feira.
As oportunidades continuaram a aparecer, levando-o a optar pelo sub-23 do Botafogo. “Decidi dar um passo atrás, mas sabia que era para um futuro melhor. Acabei sendo promovido para o time profissional após uma atuação excepcional em um amistoso”, relata, emocionado com a reviravolta em sua trajetória.
Gratidão e Planos Futuros
Com o reconhecimento finalmente alcançado, Janderson reflete sobre sua jornada. “Ninguém acreditava que eu ia me tornar jogador, nem mesmo eu. Acredito que, se estivesse em outra situação, poderia ter seguido por caminhos errados. Mas sempre mantive minha integridade e valores, e Deus me abençoou por isso”, diz ele, com gratidão.
Além de sua carreira no futebol, Janderson mantém um forte compromisso com a comunidade. Ele organiza festas e distribuições de doações, retribuindo o apoio que recebeu ao longo de sua vida. “Todo ano, faço algo especial para as crianças, como distribuir ovos de Páscoa e cestas básicas. Hoje, quero terminar meus estudos e ingressar em uma faculdade de educação física para continuar contribuindo com o esporte e a sociedade”, finaliza.

