Os Perigos do BPA em Dispositivos Médicos
O bisfenol A (BPA) é uma substância química conhecida por suas propriedades tóxicas, especialmente quando se trata de sua presença em dispositivos médicos. Essa substância, amplamente utilizada na fabricação de plásticos, tem sido objeto de preocupação devido ao seu papel como disruptor endócrino, influenciando negativamente o sistema hormonal humano. Desde sua banimento de itens como mamadeiras e utensílios plásticos, o debate sobre o BPA não diminuiu, especialmente em um contexto onde sua presença em ambientes hospitalares levanta sérias questões de saúde.
O que é alarmante é que o BPA se comporta de maneira semelhante ao estrogênio, podendo provocar efeitos adversos à saúde mesmo em pequenas concentrações. Estudos apontam que essa substância pode impactar a saúde reprodutiva, afetar o fígado, o pâncreas e a tireoide, com riscos potencialmente graves durante a gestação, visto que pode atravessar a barreira placentária.
A absorção do BPA pode ocorrer através da pele, da inalação e se acumular em diferentes tecidos do corpo humano. Pesquisas indicam que ele está presente na urina e no sangue de mães e bebês, além de ser detectado no leite materno. Essa realidade é preocupante, pois mesmo com restrições legais, o BPA ainda pode ser encontrado em produtos médicos, como mamadeiras e chupetas mais antigas, além de brinquedos e utensílios plásticos diversos.
Dispositivos Médicos e a Exposição ao BPA
O cenário é ainda mais crítico quando se observa a presença do BPA em diversos dispositivos e equipamentos médicos. Pacientes internados podem ter níveis de BPA significativamente mais altos em comparação à população geral, devido ao contato frequente e prolongado com materiais que contêm essa substância. Isso é especialmente preocupante para idosos e pacientes hospitalizados que utilizam cateteres, tubos de hemodiálise e outros equipamentos médicos que podem liberar BPA.
Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) realizaram uma revisão sistemática da literatura sobre a exposição ao BPA em ambientes médicos, analisando diversos estudos acadêmicos. Os resultados, publicados no periódico Environmental Toxicology and Pharmacology, revelaram que, apesar de uma quantidade considerável de artigos existirem sobre o tema, apenas uma fração destes apresentava dados relevantes e de qualidade.
Após uma análise minuciosa, apenas 12 dos cerca de 7.130 artigos identificados foram considerados relevantes. Isso demonstra a escassez de pesquisa de qualidade em relação aos impactos do BPA, que, embora presente em quantidades significativas no sangue e na urina de pacientes, carece de estudos mais aprofundados e robustos sobre suas consequências a longo prazo.
Impacto em Lactentes, Crianças e Idosos
Os estudos revisados identificaram seis grupos principais de pacientes, incluindo lactentes, crianças e adultos com doenças crônicas. Em particular, pesquisas indicam que a exposição ao BPA tende a aumentar após o uso de dispositivos médicos, levantando preocupações sobre sua associação com a gravidade de doenças, especialmente em pacientes com problemas renais.
Outro ponto importante observado foi a ausência de medições prévias de níveis de BPA nos pacientes antes do uso de dispositivos médicos. Essa falta de dados torna desafiadora a avaliação dos impactos reais da exposição ao BPA, sublinhando a necessidade de mais pesquisas para estabelecer margens seguras e determinar as consequências dessa exposição.
Alternativas ao BPA: Riscos e Cuidados
A indústria tem buscado alternativas ao BPA, utilizando compostos como BPS e BPF, frequentemente comercializados como plásticos “livres de BPA”. No entanto, a segurança desses substitutos ainda não foi suficientemente avaliada, gerando preocupações entre pesquisadores e profissionais de saúde sobre os efeitos que podem ter na saúde humana.
A conscientização sobre os riscos associados ao BPA e seus substitutos é crucial. Tornar essas questões visíveis é o primeiro passo para garantir que os dispositivos médicos se tornem mais seguros. Investir em pesquisa adicional e desenvolver alternativas seguras, além de revisar práticas e regulamentações baseadas em evidências, é essencial para reduzir a exposição a substâncias potencialmente nocivas no cuidado à saúde.

