Intervenções Políticas de Couto em Foco
A gestão interina do desembargador Ricardo Couto no Governo do Rio de Janeiro, embora pautada pela busca de uma suposta neutralidade política, está se tornando um ponto central nas disputas entre os principais candidatos ao Palácio Guanabara nas próximas eleições. Desde que assumiu o cargo em março, após a renúncia de Cláudio Castro, Couto já promoveu mais de 1.600 exonerações, citando a identificação de funcionários fantasmas como justificativa.
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) está aproveitando as ações de Couto em sua pré-campanha, enfatizando as auditorias e exonerações realizadas pela atual equipe interina. Por outro lado, Cláudio Castro (PL), que já ocupou o cargo de governador e é aliado do presidente da Alerj, Douglas Ruas, resolveu se manifestar publicamente, criticando diretamente algumas decisões do desembargador.
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Entre as principais ações da gestão de Couto está a realização de auditorias nos contratos que superam R$ 1 milhão, além da suspensão de licitações em várias secretarias. Essa situação vem despertando descontentamento nos bastidores do PL, especialmente após a decisão de transferir a coordenação do programa Segurança Presente para a Polícia Militar, o que afetou a influência política anterior sobre o programa.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais do governo, o secretário de segurança pública, Victor Santos, fez declarações que foram interpretadas como uma crítica ao modelo antigo de gestão do programa, que visava criar bases comunitárias de policiamento com a participação de cerca de 3.000 agentes, incluindo policiais civis e militares. “O Segurança Presente está na mão de quem deveria estar: a Segurança Pública”, afirmou Santos, um secretário que foi nomeado por Castro, mas que continua no cargo sob a gestão interina de Couto.
Enquanto isso, o governo interino investiga possíveis irregularidades nas escalas de trabalho e cumprimento de metas dos policiais envolvidos no programa. Em resposta às movimentações de Couto, Castro publicou um vídeo em que descreveu a alteração do programa como uma “falácia”, acusando o desembargador de desvirtuar o intuito original do projeto de policiamento comunitário.
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Assim como outros, Castro expressou preocupação com o futuro do Segurança Presente e alertou que a mudança poderia significar “o início do fim” do projeto, ressaltando que ele foi concebido para oferecer uma abordagem de segurança mais próxima da população, longe da lógica convencional dos batalhões da PM. Ele enfatizou que a falta de diálogo sobre as mudanças propostas é um grande erro.
Paes, por sua vez, não hesitou em apoiar as decisões de Couto, considerando-as como uma limpeza necessária na segurança pública do Rio de Janeiro. Ele criticou a gestão anterior de Castro, que, segundo ele, havia transformado um programa essencial em moeda de troca política.
O debate em torno das ações de Couto expõe a polarização entre os aliados de Castro e aqueles que veem na atuação do desembargador uma oportunidade de fortalecer Paes no cenário político atual. As críticas de integrantes do PL incluem a percepção de que auditorias e exonerações estão sendo conduzidas de forma a favorecer a oposição, principalmente por conta das escolhas do delegado Roberto Leão, que foi nomeado por Couto e já tinha vínculos com a prefeitura.
De acordo com pessoas próximas a Couto, é natural que auditorias possam beneficiar, ainda que involuntariamente, a oposição, mas negam que exista qualquer tipo de aliança formal com Paes. Aliás, ressaltam que ex-governadores como Anthony Garotinho (Republicanos) e Wilson Witzel (PMB) também apoiam as medidas de Couto, indicando a complexidade do cenário político atual.
Apesar da situação tensa, a gestão interina manteve sua posição de que as mudanças visam a neutralidade política. Em uma nota oficial emitida na terça-feira, o governo afirmou que a escolha de novos secretários se baseia em critérios técnicos e de experiência, visando sempre o fortalecimento do serviço público. Até agora, Couto já alterou 10 dos 32 secretários e fez mudanças significativas na liderança de órgãos fundamentais, como a Controladoria-Geral do Estado e a Procuradoria Geral do Estado.

