Mudanças na Assembleia Legislativa
A retotalização dos votos atribuídos a Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), promete impactar de forma significativa a composição de cadeiras entre os partidos. A recontagem está agendada para a próxima terça-feira e abre portas para novos nomes, como Comte Bittencourt (Cidadania), que desponta em projeções internas. Essa mudança será crucial em um cenário já marcado por tensões políticas e novas articulações.
Com a recontagem, a disputa pela liderança da Casa e pelo cobiçado mandato-tampão ganha novos contornos, levando os deputados a recalcular suas estratégias diante da possibilidade de uma nova configuração no plenário. Este movimento é impulsionado pela anulação dos mais de 97 mil votos que Bacellar conquistou nas eleições de 2022. O impacto direto da retotalização será um novo cálculo do quociente eleitoral, como ressalta Fábio Luiz Gomes, vice-presidente da comissão de advocacia nos Tribunais Superiores e órgãos de controle do Instituto dos Advogados do Brasil (IAB).
Segundo Gomes, “a situação de perda de mandato e cassação de diploma provoca uma instabilidade social relevante, e isso torna necessária a convocação de novas eleições. No entanto, no caso de Bacellar, a peculiaridade reside na solicitação do TSE para anular os votos, o que impõe a realização de uma retotalização”. Essa ação, portanto, não só altera a quantidade de cadeiras disponíveis, mas também como cada partido ou federação se posicionará ao longo do processo de recontagem.
Expectativas e Consequências
Um dos cenários analisados pelos deputados prevê que o Cidadania ganhe uma cadeira a partir da retotalização, ocupada por Comte Bittencourt, ex-deputado estadual e ex-vice-prefeito de Niterói. A expectativa da oposição, ao contar com um aliado de centro como Bittencourt, é que ele possa se alinhar à esquerda nas votações, especialmente em relação ao grupo majoritário que apoia Douglas Ruas (PL) na disputa pela presidência da Casa.
Bittencourt expressou cautela sobre seu retorno: “Eu vou esperar a retotalização dos votos e, se eu tiver que voltar, eu volto; se não, não volto. É uma questão de ter cautela nesse momento e até de razoabilidade”. Enquanto isso, o PL enfrenta a possibilidade de perder uma cadeira caso não atinja o quociente eleitoral, embora possam obter uma vaga pelas sobras eleitorais, mantendo assim a composição de sua bancada. Renan Jordy (PL-RJ), suplente que foi mencionado como um dos que poderiam ficar de fora, tende a permanecer no cargo ao assumir a vaga deixada por Ruas ao se candidatar ao mandato-tampão.
Outra situação semelhante se aplica ao deputado Bruno Boaretto (PL), que, como suplente, poderá garantir sua posição ao substituir Jair Bittencourt, que foi recentemente nomeado para a Secretaria de Governo. Por fim, o União Brasil deverá perder uma cadeira devido à cassação de Bacellar, refletindo as consequências diretas da retotalização no cenário político atual.

