Críticas de Paes se intensificam após decisão de Castro de renunciar ao cargo
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pré-candidato ao governo fluminense pelo PSD, não poupou críticas à organização da ‘cerimônia de encerramento do mandato’ promovida pelo atual governador, Cláudio Castro. A cerimônia, que ocorrerá no Palácio Guanabara, foi programada para a tarde desta segunda-feira (23), justo um dia antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dar continuidade ao julgamento que pode tornar Castro inelegível por um período de oito anos.
Nas redes sociais, Paes disparou contra a atitude de Castro, classificando a situação como uma tentativa de ‘fugir da justiça’. Ele argumentou que, com a renúncia, Castro demonstra ser ‘um governador omisso’, que não apenas está escapando das responsabilidades, mas também desrespeitando a justiça em virtude dos crimes cometidos. ‘Não podemos mais permitir que esse tipo de impunidade aconteça. Destruiu com seu grupo o Rio de Janeiro! Não passará impune!’, enfatizou.
Além disso, Paes comentou que a expressão ‘fazer chicana’ se refere a ‘usar artifícios formais ou recursos excessivos para atrasar um processo, sem necessariamente contribuir para a justiça da causa’. Ele deixou claro que essa estratégia visa confundir a opinião pública e minimizar os impactos de suas ações.
Expectativa sobre o Futuro do Governo do Rio
A renúncia de Cláudio Castro levanta questões sobre a condução do governo do Rio e as estratégias políticas em jogo. Caso Castro realmente deixe o cargo, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), Ricardo Couto, assumirá temporariamente o Executivo, e deverá encaminhar um pedido à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para a convocação de eleições indiretas no prazo de 30 dias.
Essa situação se torna ainda mais complexa com a liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu regras relativas à eleição que ocorrerá se Castro se afastar. A Alerj já aprovou estas novas regras, mas o PSD questionou no STF dois pontos específicos: o prazo para que candidatos deixem seus cargos e a adoção do voto aberto.
A preocupação de Paes é que Douglas Ruas, deputado estadual e pré-candidato alinhado à direita, possa aproveitar a situação para se tornar governador interino, utilizando-se da máquina pública e aumentando sua visibilidade antes da eleição prevista para outubro. Com a liminar de Fux, no entanto, Ruas não poderá concorrer na eleição indireta, visto que só se desincompatibilizou de sua função na Secretaria de Cidades na semana anterior.
Acusações Sobre a Governança de Castro
Cláudio Castro enfrenta sérias acusações de abuso de poder político e condutas proibidas durante a sua campanha de reeleição em 2024. O Ministério Público Eleitoral denunciou, tanto ele quanto seu vice, Thiago Pampolha, por contratarem milhares de pessoas através da Fundação Ceperj durante o período eleitoral, uma prática que levanta questionamentos sobre a ética de sua administração.
Com a iminente renúncia, Castro tomou a decisão de exonerar 11 secretários estaduais, permitindo que possam concorrer nas eleições de 2026. A mudança foi publicada no Diário Oficial do estado, junto com a nomeação dos novos secretários para as pastas afetadas, como Polícia Civil e Turismo. Castro justificou as exonerações como um aspecto natural do calendário eleitoral.
As exonerações ocorreram em um contexto onde se esperava que Castro renunciasse ao cargo, conforme antecipado por fontes próximas ao governo. Essa decisão parece ser uma tentativa de evitar a inelegibilidade e facilitar uma possível candidatura ao Senado nas eleições de outubro. A estratégia de se afastar antes do julgamento no TSE visa garantir que a ação contra ele perca validade, já que não ocupará mais a função de governador.
Entre as mudanças, na Secretaria da Polícia Civil, Felipe Curi foi substituído por Delmir Gouveia, que possui vasta experiência no serviço público. As movimentações nas secretarias são parte de uma estratégia maior e revelam a tensão no governo fluminense em um momento crítico.
A expectativa agora gira em torno do desenrolar da situação política no Rio, com a possibilidade da renúncia de Castro e as repercussões que isso trará para o futuro do estado.

