Desempenho Insatisfatório de Cursos de Medicina
As ações do setor de educação enfrentaram um dia negativo na bolsa paulista nesta segunda-feira (19), impulsionadas por informações preocupantes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O exame revelou que mais de 100 cursos de medicina em todo o Brasil apresentaram um desempenho considerado insatisfatório.
Os cursos avaliados receberam notas 1 e 2, categorizadas como insuficientes pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em razão disso, enfrentam penalidades que incluem restrições ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a suspensão de novas vagas. Essa informação foi divulgada por meio de uma nota publicada no site do Ministério da Saúde.
A avaliação, realizada no final do ano passado pelo Ministério da Educação, foi apresentada nesta segunda-feira em Brasília pelos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Educação, Camilo Santana. As medidas incluem ações de supervisão direcionadas a 99 cursos de medicina que foram classificados nas notas 1 e 2 do Conceito Enade 2025. Esses cursos demonstraram um desempenho abaixo de 60% dos alunos com notas consideradas adequadas no exame. No total, esses cursos estão vinculados a 93 instituições de ensino superior.
As consequências para os cursos com baixo desempenho incluem a proibição de aumentar o número de vagas, a suspensão de novos contratos do Fies e a exclusão das instituições de programas como o Prouni e outros programas federais de acesso à educação.
Analistas do UBS BB destacaram a gravidade da situação, considerando a notícia desfavorável para o setor educacional, mencionando que a lista de instituições afetadas inclui nomes relevantes como Afya, Yduqs (YDUQ3), Anima (ANIM3) e Cogna (COGN3).
Impacto no Mercado e Reações das Empresas
No mercado, as ações listadas na B3 apresentaram resultados negativos. Cogna ON, que faz parte do Ibovespa, encerrou o dia com uma queda de 1,91%, enquanto Yduqs ON registrou uma perda de 1,9%. Fora do índice, as ações da Anima ON despencaram 6,48%, e a Ser, outra empresa do setor, viu suas ações recuarem 6,77%. Vale ressaltar que a Afya é negociada nos Estados Unidos, onde, curiosamente, o mercado estava fechado nesta segunda-feira devido a feriado.
Em busca de esclarecimentos, a Reuters tentou contato com as empresasCogna, Yduqs e Anima, mas não obteve resposta imediata. A situação levanta preocupações sobre o futuro desses cursos e o impacto que essas penalidades podem ter na formação de novos profissionais da saúde no Brasil.
Enquanto isso, a expectativa do mercado é de que o governo tome medidas eficazes para reverter esse quadro e melhore a qualidade do ensino nas instituições afetadas, visando principalmente a formação adequada de médicos que atendam às necessidades da população.

